Rio - 16 de outubro de 2013

Justiça para todos

Se o prefeito não cede, a Justiça impõe os limites. Enquanto Paes se nega a negociar com os professores – que mantiveram a greve deixando clara a insatisfação em relação ao Plano de Cargos proposto pela prefeitura – a Justiça está do lado dos profissionais do ensino. A juíza Roseli Nalin, da 5ª Vara de Fazenda Pública não acatou recurso impetrado pela Mesa Diretora da Câmara e manteve a liminar que anulou a sessão em que o plano foi aprovado. E o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) que havia decretado corte do ponto dos professores grevistas. Fux já marcou audiência de conciliação que o próprio ministro presidirá no dia 23/10, próxima quarta-feira, às 18h. A decisão de Fux foi uma resposta à reclamação feita pelo Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Estado do Rio de Janeiro (SEPE/RJ) no Supremo contra decisão do TJ-RJ. Segundo o Sepe, o corte é uma violação do direito à greve. A passeata ontem (15/10), no Centro, reuniu cerca de 100 mil manifestantes em apoio à Educação. O que está faltando para Paes abrir as negociações? Veja abaixo-assinado dos professores endereçado ao prefeito.

Memórias e história

Memórias e análise são a tônica da autobiografia de Cid Benjamin, “ Gracias a La Vida”. Líder estudantil em 68, o jornalista foi preso e libertado em troca do embaixador alemão. Um dos fundadores do PT, e hoje no PSOL, Cid atravessou dez anos no exílio até 79. No livro, ele faz uma descrição da vida na clandestinidade, conta seus dias na prisão, reflete sobre a tortura e faz uma análise do movimento de guerrilha urbana do qual participou. “Não queria me limitar a um mero relato do que tinha vivido. Achava que só valeria a pena escrever se pudesse ir além do factual e contribuísse para a reflexão sobre questões que me parecem instigantes e ainda atuais”, explica o autor.
Dia: terça-feira, 22/10
Hora: 19h
Local: Livraria da Travessa no Shopping Leblon. Av. Afrânio de Melo Franco, 390 – loja 205

Aos mestres
“Enquanto grupos empresarias receberam R$ 144 bilhões em incentivos fiscais e os banqueiros se beneficiaram com R$ 950 milhões na forma de juros e amortização da dívida, o Brasil só investiu 4% do PIB na Educação e parte deste dinheiro foi para as escolas privadas.”, assinala o vídeo “Dia das Educadoras e dos Educadores”, postado pelo deputado federal Chico Alencar (PSOL), na passagem de um Dia dos Mestres pautado por protestos e a reivindicação de valorização do ensino público.

Denúncia contra a violência

A truculência policial contra os profissionais de ensino, especialmente nos atos dos dias 28/09 e 1/10 foi denunciada ao Ministério Público, ONU e OEA. Na semana passada, em reunião com a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, representantes da Justiça Global, da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj e do Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (IDDH) relataram atos repressivos desproporcionais cometidos pela PM. Na foto da Mídia Ninja, parte do aparato policial no protesto do dia 15/10.

Mapeamento das remoções
Um mapa das violações de direitos legais e humanos nas remoções impostas às comunidades que estão no caminho das obras de infraestrutura dos megaeventos foi organizado pelo Comitê Popular da Copa e Olimpíadas em parceria com a organização internacional de Direitos Humanos Witness. Foram analisados 114 vídeos que revelam infrações em 21 comunidades cariocas entre 2008 e 2012. A intenção é derrubar o argumento da prefeitura de que não há remoções forçadas.

Farsas e forças
Chico Alencar e Marcelo Freixo
“A montanha não pariu um rato porque sua gestação ainda não acabou. Mas a continuada impermeabilidade das relações de poder e os “novelhos” partidos que surgiram vão na contramão dos protestos de junho e do clamor por outra forma de se fazer política no Brasil. Até aqui, o cenário institucional não tem sido expressão de projetos para o país, derivados dos interesses de grupos e classes sociais.” Leia na íntegra o artigo publicado no jornal O Globo.

Em discussão, a mobilidade
“Mobilidade, Direito à Cidade, Participação Política e Estado” é o tema do debate que acontece amanhã (17/10), às 10h, no Colégio São Paulo. A debate reunirá o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), o geógrafo, Jorge Borges, o coordenador de Geografia, Alberto Vieira, o historiador, Leonardo Padilha, a coordenadora do Ensino Médio, Martha Bonardi e o presidente do grêmio estudantil do Colégio São Paulo, Armond Lucas. O colégio fica na Av. Vieira Souto, 22 – Ipanema.

Black blocs: história e reflexão
Bruno Fiúza
“Uma das grandes novidades que as manifestações de junho de 2013 introduziram no panorama político brasileiro foi a dimensão e a popularidade que a tática black bloc ganhou no país. Repito: dimensão e popularidade – pois, ao contrário do que muita gente pensa, esta não foi a primeira vez que grupos se organizaram desta forma no Brasil, e muito menos no mundo.” Leia o artigo na íntegra. Leia também o artigo da historiadora Joana Salém Vasconcelos: Black blocs, luddismo pós-industrial.

RIO ANTIGO
Palco de manifestações políticas e antiga terra dos cinemas, a Cinelândia aparece aqui enquadrada pela janela da torre do Palácio Monroe, que foi demolido para que o Metrô pudesse ser construído. A imagem descortina uma avenida completamente europeia com prédios em estilo clássico que davam um ar imponente a Avenida Rio Branco, o boulevard projetado pelo prefeito Pereira Passos no começo do século XX. Viaje no tempo