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A ética do mercado e o desperdício de dinheiro público

Na última semana, assistimos estarrecidos às denúncias feitas pelo Fantástico, da Rede Globo. Durante dois meses, o repórter Eduardo Faustini se passou por um gestor de compras do Hospital de Pediatria da UFRJ. O que vimos na reportagem foram cenas repugnantes: licitações com cartas marcadas, negociatas, desvio do dinheiro público, propina, truques para escapar da fiscalização.

Com a permissão do corajoso diretor do Hospital Edmilson Migowisk, o vídeo mostrou a relação fraudulenta entre o órgão público e as prestadoras de serviços e recursos humanos: Locanty, Toesa, Rufolo e Bella Vista.
Um crime fácil de resolver, se os tentáculos da corrupção não fossem muito maiores e pegajosos do que os mostrados na reportagem.

As empresas terceirizadas, flagradas na matéria jornalística, prestam serviços a pelo menos dezenas de outros órgãos públicos. Só a Locanty fornece equipamentos e pessoal ao Governo do Estado, às prefeituras do Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Três Rios, Resende; à Câmara do Rio; ao Tribunal de Justiça; ao Tribunal do Trabalho; à Defensoria Pública; ao Ministério Público e à Polícia Federal, ou seja, o câncer deu metástase.

Terceirizar serviços, com Organizações Sociais (OSs) e empresas de duvidosa idoneidade, é escancarar as portas para o desvio e o desperdício do dinheiro público. Uma verba que deveria estar aplicada na educação, na boa remuneração de profissionais de saúde e nas condições de trabalho dos prédios públicos. São gastos em compras acima do preço médio de mercado ou em custos de pessoal que excedem muito a remuneração básica dos servidores que deveriam ser públicos.

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