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As chuvas e o despreparo da cidade

O prefeito Eduardo Paes, numa de suas declarações à imprensa, afirmou que a cidade não está preparada para enfrentar as chuvas. Isto é um fato, mas faltou esclarecer de quem é a responsabilidade por esse despreparo. Ao longo de toda a minha vida parlamentar tenho alertado em meus discursos na Câmara de Vereadores sobre a forma irresponsável como são dadas as autorizações para novas construções no município do Rio de Janeiro. O bairro de Botafogo é um exemplo: em ruas onde há 50 anos só havia casas, hoje há condomínios de mais de 18 pavimentos. Mas as redes de água e esgoto permanecem basicamente as mesmas, não houve ampliação da sua infraestrutura.

De acordo com a legislação, as construtoras deveriam ter, antes de começar a obra, um certificado de possibilidade de abastecimento de água e esgotamento sanitário fornecido pela CEDAE. No entanto, isso tem sido levianamente ignorado por décadas, e agora podemos ver as consequências: as águas não têm por onde escoar. O Plano Diretor é também um importante instrumento de planejamento neste sentido, já que prevê que regiões da cidade podem ser adensadas e quais não podem mais crescer.

Infelizmente, o projeto de revisão do Plano Diretor hoje em tramitação na Câmara permite o adensamento de áreas já sobrecarregadas, sem considerar os riscos que isso representa. Que a tragédia dos últimos dias sirva de alerta para a necessidade de se preparar a cidade para as intempéries da natureza, planejando o seu desenvolvimento com responsabilidade.

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Uma resposta a As chuvas e o despreparo da cidade

  1. Andrea Fernandes disse:

    O texto do vereador Eliomar Coelho nos chama a reflexão. Tomara que chame todas as nossas autoridades ao exercício conjunto da relfexão.
    Parece que vivemos um momento de pesadelo. Sabe aquele pensamento… Ah! Comigo não vai acontecer. Pois é, aconteceu conosco, na cidade maravilhosa, que não combina com chuva e que é “bonita por natureza”.
    Mas a natureza está gritando. E nós, seres humanos, precisamos fazer, cada um de acordo com as possibilidades, individual ou coletivamente, a nossa parte. Precisamos ter consciência (e não há curso de formação de conscientização) que é preciso fazer a diferença no nosso Rio de Janeiro. Fazer a diferença significa não jogar aquele papelzinho pequenininho no chão; não colocar o saco de lixo na calçada para deixá-lo ali esperando o carro da coleta que passará daqui a dois dias. Significa também ter mais critérios na autorização de construções numa cidade e num Estado que cresceu… e muito.
    Sejamos mais conscientes, porque somente sermos solidários na hora da dor, não basta.

    • eliomar coelho disse:

      Cara Andrea,

      Veja o texto que publiquei no blog em que faço uma análise do que vem ocorrendo na cidade. E vamos, cada um, fazer a nossa parte pois, claro, isso faz toda a diferença.

      Abs,
      Eliomar

  2. felipe moore disse:

    Meu amigo Eliomar,
    andando pelo rio hoje tive uma triste visão ..,nossa cidade
    não tem mais jeito.Você deu exemplo de Botafogo,eu vou falar da Taquara.O bairro aonde moro ha 30 anos está um caos ,são tantos carros que esta impossível se deslocar ,e a tendência é piorar .Precisamos de projetos serios para longo prazo, mas acho que todo mundo sabe disso o resto é retórica .

    • eliomar coelho disse:

      Caro Felipe,

      O Rio de Janeiro sofreu com as chuvas mas a situação só tende a piorar se não houve planejamento. O Plano Diretor é um importante instrumento para a cidade mas sua revisão, que acontece na Câmara Municipal, corre o risco de ficar muito aquém de sua potencialidade. Política feita com retórica, como sabemos, pode resultar em tragédia e morte. Porém, eu quero crer que não precisamos perpetuar o caos e a inviabilidade.

      Abs,
      Eliomar

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