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Atletas exigem Centro de Treinamento em Estádio de Remo da Lagoa

Mais do que incoerência, é uma afronta o que acontece no Estádio de Remo da Lagoa. Os atletas exigem um Centro de Treinamento. Ao invés disso, o lugar foi ocupado, irregularmente, por cinemas. De nada adiantou o tombamento, pela Câmara Municipal, da construção – uma referência na arquitetura moderna. De nada adiantou a grita de 14 associações de moradores da Zona Sul contra o shopping, as salas de cinema e o estacionamento. De nada adiantaram as oito ações judiciais contra a mudança na natureza do estádio e nem mesmo a vitória do Ministério Público no Supremo Tribunal Federal – em duas instâncias – determinando que o estádio resgatasse sua finalidade. Há mais de um ano que o STJ aguarda que o processo seja despachado para Brasília.

Numa guinada de 360 graus, que surpreendeu atletas, moradores e todos os que apoiam o funcionamento, a pleno, do Estádio de Remo, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro concedeu liminar permitindo a ocupação do estádio pela empresa Glen Entertainment e a reforma de uma das três arquibancadas para os jogos do Pan. Um dos argumentos foi que o Legislativo não tem atribuição para sacramentar o tombamento. Um absurdo total. A obra custou R$ 13 milhões. E estão previstas novas obras por conta das Olimpíadas.

O ex-presidente da FRERJ (Federação de Remo do Rio de Janeiro), ex-remador Alessandro Zelesco, sustenta que, a pretexto de construir nova arquibancada mais alta, adaptou-se a área para receber os cinemas e praça de alimentação, sem estudo de impacto ambiental (EIA Rima). ‘”Tudo com dinheiro público”, revolta-se. O estado ainda cancelou um programa de iniciação esportiva que atendia a 2.500 jovens. Outro ex-remador, Zezé de Barros – filho do Benedicto de Barros, arquiteto que projetou a obra -, também lamenta que o estádio não sirva como lugar de integração social para comunidades carentes que vivem nos arredores.

Os cinemas já estão funcionando. O projeto do Shopping está parado. Mas Zelesco teme que será feito um overlay – uma maquiagem – apenas para que o estádio possa abrigar os jogos olimpícos de 2016. E assim que a festa acabar, o shopping ganhará sinal verde para ser inaugurado.

Mesmo céticos, frustrados e desanimados, os atletas persistem na luta através do site Remo 2016. Ninguém consegue acreditar que numa cidade que sediará uma Olimpíada, o Estádio de Remo não esteja servindo aos atletas. Espremidos na pequena área que lhes foi reservada, eles seguem tentando fazer ecoar seu protesto com apoio de nomes como o próprio João Havelange, ex-presidente da Fifa, e o arquiteto Oscar Niemeyer.

“O Comitê Olimpíco está cuidando do palco, das cortinas, do conforto mas não dos atores, que deveriam ser prioridade. Estes estão à míngua, não há apoio para o remo dentro do Estádio de Remo.”, dispara Zelesco. Para Zezé, sem a infraestrutura necessária, a atuação do Brasil no remo caminha para o fiasco. “O legado já está aí, são os cinemas!”, indigna-se Zelesco, que fez longo relato sobre o assunto na publicação Remando.

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