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Basta do sucateamento da Educação estadual

Em meio à crise do (DES)governo estadual persiste uma crise sem precedentes na história da educação fluminense que se agrava em fins de 2015 (sem precisarmos lembrar as dezenas de escolas fechadas no governo Cabral – 2007/2014) e atinge seu ápice este ano de 2017.

Segundo dados do INEP (MEC), entre 2015 e 2016, o número de alunos que abandonou os estudos salta de 4,5% para 8,5%. Com uma rede com cerca de 450 mil alunos, esse percentual representa aproximadamente 40 mil alunos que deixaram de estudar.

E, no caso específico do Rio de Janeiro, não há motivos para comemorar o fato de ter saído do penúltimo lugar no ranking das redes estaduais em 2009 para o quinto, em 2015. O IDEB sempre foi, em nossa avaliação, um instrumento falho na aferição da qualidade da educação, baseado em estatísticas e avaliações dos sistemas de ensino que não provam a verdadeira situação vivenciada nas escolas públicas.

A própria média aferida ao estado fluminense demonstra essa falácia: 3,5 de média para um quinto lugar no ranking nacional. Leia-se: a educação está no banco da recuperação e reprovação faz tempo.

A avaliação que fazemos é que a Secretaria de Educação tem agravado mais ainda essa situação. Ao contrário do que tenta comprovar nas audiências públicas, com seus gráficos e Power Point de primeiro mundo, tem se especializado em aplicar a cartilha neoliberal e economicista de enxugamento de gastos.

Desde meados de 2015, temos denunciado a ameaça e o fechamento de escolas, que se agravou em fins de 2016 e, ao final do segundo bimestre de 2017, no meio de um ano letivo, atinge a marca de 150 escolas.

A SEEDUC insiste em tratar a educação pública cartesianamente, com fechamento de turmas e escolas, proibição de matrículas novas em determinadas escolas, proibição de horas extras de professores, não convocação de concursados e superlotando turmas.

Não satisfeitos, agora colocam professores especialistas em determinada disciplina para atuarem em outras áreas completamente diferentes de sua formação e concurso público. Agindo, ainda, com assédio moral. Ou o professor se submete e aceita ou terá de ir pra escolas e regiões metropolitanas longe de sua lotação inicial. Muitos professores habilitados para disciplinas apenas por terem em seu currículo 120 horas de estudo em determinada matéria, contrariando inclusive o que exige o MEC.

Nas escolas, técnicos da SEEDUC têm agido como capatazes, aterrorizando os profissionais de educação e direções recém-eleitas, ao invés de dar condições de trabalho.

Seguem alguns exemplos:

- No tradicional Colégio Amaro Cavalcanti, mais de 400 alunos tiveram suas matrículas canceladas sob alegação de serem faltosos, sem aviso às famílias, no meio do ano letivo;

- No Colégio Estadual André Maurois, por exemplo, com mais de 2 mil alunos matriculados, está sem porteiro, sem inspetores suficientes nos três turnos, sem secretária escolar, sem coordenador pedagógico;

- No Colégio Estadual Manuel Bandeira, no Jardim Botânico, num prédio do governo estadual, cedido ao município por convênio, há cinco turmas de EJA, sendo duas de alunos com deficiência, ameaçadas de extinção em 2018. Um verdadeiro crime.

-Em São Gonçalo, visitamos escolas fechadas onde alunos para manterem seus estudos tinham que conviver com a insegurança de estudarem em comunidades diferentes das suas, com todos os problemas que comunidades carentes enfrentam.

- O Colégio Estadual Albert Einstein, na Barra da Tijuca, referência no ensino de EJA com trinta anos de existência, atende alunos, na sua maioria, trabalhadores daquela região: empregadas domésticas, porteiros, funcionários do comércio, empregados na construção civil. Muitos alunos já foram aprovados no ENEM, podendo cursar o ensino superior; agora, ameaçado de extinção;

Pode haver qualidade de educação com esse modelo excludente?

São essas as condições postas para a formação de jovens e adultos em nosso estado.

O Professor Roberto Leher, em 2007, cunhou uma expressão que caracterizava a política educacional no município do Rio de Janeiro e que hoje se encaixa no quadro da educação fluminense.

O governo estadual, através de seu secretário de educação, está promovendo não só o desmonte da escola pública, mas condenando uma geração de jovens e adultos a um “genocídio intelectual”!

Fotos da audiência pública desta quarta-feira (28/6/2017).

 Assista a fala de Eliomar na audiência pública da Educação

 

 

 

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