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Cidade da Música: um equipamento amaldiçoado?

Muito já se falou do custo faraônico da Cidade da Música, orçada em R$ 80 milhões e que custou aos cofres públicos quase R$ 600 milhões. Rebatizada de Cidade das Artes, terá nova “inauguração” no próximo semestre que consumirá do orçamento da Secretaria Municipal de Cultura R$ 48 milhões para contratação de Organização Social. Este valor cobre apenas dois anos de gestão do equipamento cultural pela OS.

É isso que consta do edital de licitação publicado pela prefeitura. E, numa conta rápida, chega-se a um custo mensal perto de R$ 2milhões. Ontem, o prefeito optou pela ironia ao justificar o valor da manutenção à imprensa. ‘Só para acender a luz e botar papel higiênico o custo é esse”, disparou Paes.

Vamos encaminhar um Requerimento de Informações à prefeitura para saber, afinal, o porquê desta contratação e o porquê deste custo. Quanto custará a folha de pagamento do centro cultural, ou seja, quantas pessoas serão empregadas? Qual a finalidade da Cidade das Artes? Que programação está prevista? Esperamos não receber respostas debochadas ou evasivas.

Será que a obra está concluída? Cesar Maia correu para inaugurar a Cidade da Música em 2008, ano eleitoral, e o que se viu foi um equipamento inacabado e sem condições de uso. Pretendemos visitar a Cidade das Artes para verificar qual a realidade hoje, às vésperas de mais uma “inauguração” em ano eleitoral.

Mas cabe, aqui, outra discussão. Não adianta só criar espaços. É preciso planejar a política cultural para que equipamentos não se tornem espaços ociosos. Especialmente aqueles que, por si só, são onerosos aos cofres públicos. É preciso pensar a que se destina tal obra e, antes, fazer um estudo de viabilidade econômica.

Um dado estarrecedor: o gasto anual com a gestão e manutenção da Cidade das Artes representa quase o orçamento total destinado a bancar 23 equipamentos culturais espalhados em áreas distintas da cidade em 2012, ao custo de R$ 22 milhões. E sabemos que existe concentração de equipamentos na Zona Sul e Tijuca e deficit na Zona Norte e regiões carentes da Zona Oeste. Isso só corrobora como é imprescindível planejamento e análise econômica.

Cesar Maia optou pela Barra da Tijuca e por um projeto arrojado em termos de engenharia civil que se transformou em alvo de CPI na Câmara Rio. Só depois que a obra do arquiteto Christian de Portzamparc havia começado, Maia solicitou estudo de viabilidade econômica. Quis dotar o Rio de Janeiro de algo semelhante a Cité de la Musique, de Paris. Mas acabou construindo um monumental elefante branco. O dinheiro público, e a cultura, merecem melhor tratamento.

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