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Conheça a tese: “Para o PSOL continuar necessário”

Este é um documento aberto a adendos, que pode e deve ser aperfeiçoado por quem se identificar com suas linhas gerais. Ele busca contribuir para um elevado debate político que qualifique, desde as instâncias de base, o processo do IV Congresso do PSOL. O primeiro passo, redigi-lo, foi dado coletivamente, sem sectarismos e com o sincero intuito de ajudar nosso partido a se consolidar como força política de esquerda. O segundo depende de seu interesse e leitura – com esse mesmo espírito e propósito.

1. A chama da utopia

Toda análise tem uma motivação subjetiva. As que se colocam como reflexão de militantes e simpatizantes de um partido político digno do nome, como o PSOL busca ser, devem se inspirar em dois elementos básicos: a) entender o que é tópico sem perder a dimensão da utopia, do vir a ser, de uma sociedade diferente, por igualitária, justa e radicalmente democrática – socialista, enfim – que aspiramos, negada cotidianamente pela distopia dominante; b) diferenciar, na ação política, os objetivos estratégicos dos movimentos táticos que ela exige, dialogando com a realidade e com ela fazendo as mediações necessárias, dialeticamente, sempre lembrando que os meios devem conter ao menos sinais dos fins, sob pena de desvirtuamento. E que esses fins, por mais grandiosos que sejam, não se viabilizam por mera insistência proclamatória ou baluartista.

Nosso tempo pessoal não tem o ritmo do tempo histórico que nos ultrapassa: estamos, de certa maneira, ‘condenados’ a lutar por um ‘vir a ser’ que não é, e possivelmente não será em nossa existência – o mundo justo que não veremos. Mas “plantar árvores sob cuja sombra não descansaremos” (Rubem Alves) não deve nos desanimar. São os esforços de mulheres e homens lutadores que fazem a roda da História girar. Ela não é acelerada por uma natural e jovial impaciência, nem pela às vezes saudável intransigência, que, ainda que emuladoras em determinadas situações, não servem como argumentos teóricos.

Hoje mais que ontem, entretanto, a utopia é um imperativo categórico, pois “alimenta de horizontes” não apenas os sonhos, mas as preocupações concretas com a fome e a miséria de milhões, jogados no desrespeito à sua dignidade, e o esgotamento dos ecossistemas, que ameaçam a continuidade da vida na Terra: acidificação dos oceanos, redução da biodiversidade, contaminação dos lençóis freáticos, aquecimento global e outros fenômenos nada naturais.

Do mesmo modo, a teoria, a reflexão crítica, é uma exigência de toda prática, inspirada pela utopia, que pretenda ter alguma incidência na realidade. Mesmo, ou talvez ainda mais, na situação adversa, de mera resistência, em que nos encontramos agora, na quadra da hegemonia capitalista mundial (malgrado suas crises).

É certo que não existe o apregoado ‘fim da História’, com o triunfo do liberalismo e de caminhos supostamente abertos para a concretização de uma sociedade de plena realização dos indivíduos, onde as classes sociais não contam mais. Mas temos que considerar que não estamos em um período de narrativas épicas, de insurreições populares que, em acelerados ‘10 dias’, abalam o mundo e nossas emoções com tomadas de palácios da aristocracia ou da burguesia.

O século XXI, ao entrar na segunda década, traz novos cenários, mais complexos e controlados pelas forças conservadoras dominantes, mas não menos dinâmicos. Em carta a Contardo Calligaris, crítica a artigo do colunista publicado na Folha de São Paulo de 14/2/2013 (“Saudade de ideias perigosas”), o advogado João Telésforo faz uma observação muito pertinente: “a hegemonia de uma grande narrativa, a do capitalismo e de seu aparato institucional, é colossal. Discute-se apenas sobre quanto e como regulá-lo, bem como outras questões importantes, mas não a radical transformação de suas estruturas. O discurso que celebra o fim dos grandes ideais, das ideias abrangentes de compreensão da sociedade e de sua transformação, acaba por servir a que não sejam discutidas nem questionadas as estruturas, suas forças dominantes e grandes mecanismos”. João Telésforo lembra que este discurso dominante estimula as pessoas “a tomarem sua ignorância como um conhecimento perfeito” e… despolitizado: “esse conhecimento sobre o caráter fragmentário do mundo, da sociedade e da política – o que é uma verdade, porém relativa e parcial – tem tornado muita gente insensível à necessidade de pensar o todo e articular as transformações em projetos comuns”.

Mas o bloqueio das elites, com seu arsenal de ‘argumentos’ sobre a modernidade e o ‘anacronismo da luta de classes’, além do ‘gás paralisante’ do hiperindividualismo e da existência exclusivamente privada (esta é a ‘grande narrativa’ da distopia atual: ‘não há alternativas’), é fustigado por movimentos fervilhantes, em muitos países do mundo. E também no nosso, tanto nos grandes centros quanto no Brasil profundo.

Isso não nos dispensa de ir além de enunciados genéricos ou das consignas apropriadas para panfletos e microblogs. É tempo de ‘trocar de roupa andando’: desenvolver a militância política e, ao mesmo tempo, estudar. Fazer, coletivamente, uma análise mais refinada da realidade do cenário mundial e nacional, na perspectiva da ‘classe’ – outro termo carregado de significâncias comoventes mas também simplificador, quando mascara a diversidade dos segmentos do mundo do Trabalho e seus interesses multifacetados, quase sempre submetidos à ideologia triunfante do Capital.(…)”.

Leia a tese na íntegra

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5 respostas a Conheça a tese: “Para o PSOL continuar necessário”

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