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CREA-RJ: novos bondes de Santa Teresa devem sair de circulação

A Comissão de Avaliação e Prevenção de Acidentes (CAPA), do CREA-RJ, divulgou, ontem, um relatório que recomenda a retirada de circulação dos novos bondes de Santa Teresa, apelidados de Frankenstein. A avaliação técnica da CAPA foi motivada pelo acidente que provocou a morte da professora de português Andréia de Jesus Rezende, de 29 anos, no ano passado, e por denúncias da AMAST (Associação de Moradores de Santa Teresa) sobre falta de segurança após a modernização das composições.

O relatório é claro: “A CAPA conclui, com relação ao acidente, que os novos bondes fabricados pela TTRANS, não deveriam circular até que o projeto seja reavaliado, e todas as possibilidades de danos estruturais de seus sistemas estejam reexaminados quanto a confiabilidade e análise de riscos. A CAPA sugere que antes da liberação do projeto, seja instituída uma Comissão Técnica Independente que elabore um Laudo Pericial das condições de segurança do bonde (…)”.

De acordo com a CAPA, a TTRANS errou ao colocar a caixa de fibra de vidro, onde está instalado o sistema de freios fornecido pela Empresa KNORR-BREMSE, na parte lateral do bonde, “em uma posição onde qualquer acidente por impacto ou outra degradação na sua estrutura, por menor que fosse, poderia fazer com que se perdesse a operacionalidade do sistema de freios.”

Para chegar a esta avaliação precisa, os membros da CAPA ouviram, entre outros, o engenheiro Massimo Andrea Giavina Bianchi – diretor-presidente da TTRANS, responsável técnico junto ao Crea-RJ, o engenheiro eletricista Cláudio Luiz Lopes do Nascimento (CENTRAL) – chefe do Departamento de Manutenção do Sistema de Bondes, o engenheiro de mecatrônica-aplicação, Alessandro Novelo, da empresa KNORR-BREMSE Sistemas para Veículos Ferroviários, e o engenheiro industrial-elétrico Luís Cláudio Alves de Mello – chefe do Departamento de Material Rodante da CENTRAL.

A conclusão do CREA-RJ:
“Após a análise dos depoimentos, projeto e vistoria nas oficinas dos Bondes em Santa Teresa a Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes do CREA/RJ conclui:

1. Houve um grave erro no projeto desenvolvido pela TTRANS quanto a localização da caixa de fibra de vidro onde estão instalados os componentes do Sistema de freios projetados e fornecidos pela Empresa KNORR-BREMSE Sistemas para Veículos Ferroviários, chamado comercialmente por KBR11. A caixa foi colocada na parte lateral da estrutura do Bonde em uma posição onde qualquer acidente por impacto ou outra degradação na sua estrutura, por menor que fosse, poderia fazer com que se perdesse a operacionalidade do sistema de freios.

Concluiu a Comissão que se um sistema de freios é componente crucial para a parada de um veículo pesado, como a caso dos Bondes, o mesmo deve estar completamente protegido contra colisões, degradações ou outras influências ou ocorrências que possam levar ao acidente. Como era de conhecimento da Empresa projetista do novo Bonde, o veículo trafega em ladeiras com grande inclinação, ruas estreitas e com grande desordem no trânsito, o que aumenta a responsabilidade sobre a confiabilidade do sistema de freios, incluindo a localização de suas partes, alem da sua eficiência e previsão de acionamentos redundantes em caso de falhas.

2. O governo municipal deve viabilizar um projeto que acabe imediatamente com a desordem urbana em Santa Teresa, fazendo com que se respeitem as características do bairro, mantendo as ruas livres para a circulação segura dos Bondes e transeuntes. As ruas devem ter marcações em seu piso com os limites para estacionamentos de veículos, e fiscalização do cumprimento das normas de segurança a serem implementadas.

3. A grande confusão urbana em que se transformou Santa Teresa, onde carros estacionam em qualquer lugar, o aumento desordenado da população e a permissão de tráfego de veículos com capacidade questionável, contribuiu e continuará contribuindo para novos acidentes, caso não se entenda que o Bonde sempre foi e deve continuar sendo, não o único, mas o principal meio de transporte da população do Bairro, e continuar sendo um patrimônio cultural do povo do Rio de Janeiro.

4. A CAPA conclui, com relação ao acidente, que os novos bondes fabricados pela TTRANS, não deveriam circular até que o projeto seja reavaliado, e todas as possibilidades de danos estruturais de seus sistemas estejam reexaminados quanto a confiabilidade e análise de riscos. A CAPA sugere que antes da liberação do projeto, seja instituída uma Comissão Técnica Independente que elabore um Laudo Pericial das condições de segurança do bonde e seus sistemas mecânicos, com ART no CREA RJ, como parte da aprovação final do projeto e da construção dos equipamentos.

5. Por fim, considerando o Art. 138 do Regimento do Crea-RJ a Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes, encaminha o processo à Presidência deste Conselho que seja encaminhado ao Plenário do Crea-RJ, visando sua manifestação e providências, que julgar cabíveis.

Rio de Janeiro, 21 de janeiro de 2010

Membros da CAPA/2009 e Convidado
Coordenador: arquiteto Fernando Bandeira de Mello da Silva, conselheiro regional, engenheiro mecânico e de segurança do trabalho e engenheiro de operação-mecânica Luiz Carlos Roma Paumgartten,
conselheiro regional, engenheiro de segurança do trabalho, mecânico e de operação-fabricação mecânica Paulo Roberto Sad da Silva, conselheiro regional (convidado) engenheiro eletricista e de segurança do
trabalho Luiz Antonio Cosenza – 1º vice- presidente do Crea-RJ.”

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