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Crônica de um desastre anunciado

Não faltou reclamação, aviso, cobrança. Mas a morte, aos 29 anos, da professora Andréia de Jesus Rezende, é irreversível. Infelizmente, o acidente, que também feriu 10 passageiros em um bonde no último domingo, não demorou a acontecer. E já foi o segundo.

No post que publiquei sobre os bondes de Santa Teresa, no dia 26 de maio, dentro de uma série de artigos sobre transportes públicos, alertei para os riscos das novas composições. Ali, informava sobre as críticas e preocupações da AMAST – Associação de Moradores de Santa Teresa – quanto às novas composições que haviam entrado em operação.

Qualquer um que embarque em um dos novos bondes, que ganharam o apelidado de Frankenstein, percebe um sacolejar um tanto estranho, menos estabilidade. De que adianta o secretário estadual de Transportes afirmar que o novo sistema de freio modernizado é mais seguro e segue normas nacionais e internacionais se os fatos não corroboram essa garantia?

Só daqui a quinze dias será divulgado o laudo apontando a causa do acidente. Agora, discute-se a municipalização dos bondes. Mas a questão que se faz premente é a certeza de que os bondes são um transporte seguro. Ser negligente com a segurança e a vida dos usuários é inadmissível e total falta de responsabilidade.

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4 respostas a Crônica de um desastre anunciado

  1. Fabiana Éboli Santos disse:

    Além do problema dos bondes, bem apontado no artigo, há outro tão grave quanto, que é o despreparo dos motoristas dos micro-ônibus para atender Santa Teresa. Dirigem em alta velocidade, sobre trilhos e paralelepípedos, ruas estreitas, de mão dupla, onde os estacionados nas calçadas obrigam os pedestres a andar pelas ruas. Há uma falta absoluta de atenção com essas características específicas do bairro. A mesma violência do trânsito da cidade, os motoristas dos ônibus reproduzem em Santa Teresa, colocando permanentemente em risco os transeuntes e moradores do bairro. E o mais impressionante é que, depois do acidente, os ônibus continuam correndo pelas ladeiras. Eu mesma, moradora do bairro, já presenciei uma batida dos espelhos externos, com estilhaçamento, entre um ônibus que subia a Joaquim Murtinho e outro que descia. Não se deram ao trabalho nem de parar para examinar a situação e ver se algum passageiro havia sido atingido.
    Abordar a questão do bonde unicamente, não resolve o problema. A solução tem que ser integrada.

    • eliomar coelho disse:

      Cara Fabiana,

      O bairro de Santa Teresa realmente tem características muito específicas. Dirigir carros ou ônibus sobre trilhos em dias chuvosos, por exemplo, requer um extremo cuidado do motorista. Não faz muito tempo que um ônibus despencou na Rua Juaquim Murtinho por imprudência (e/ou despreparo) do motorista. Por sorte, não houve vítimas mas seu relato só ajuda a confirmar os riscos a que estão expostos também pedestres e usuários de bondes. Vamos considerar todas estas questões e notificar os órgãos competentes sobre os abusos na direção dos coletivos no bairro.

      Obrigado pela participação.

      Abs,
      Eliomar

  2. Teresa Fazolo disse:

    A situação dos transportes públicos, como um todo, é cada vez mais grave. Os ônibus etão em péssimo estado, os motoristas totalmente despreparados, dirigindo irresponsavelmente.
    Num bairro como Santa Teresa, isso só se complica ainda mais.

    Os acidentes no trânsito, envolvendo ônibus, tem sido cada vez mais frequentes e com maior gravidade. E o metrô, lotadissimo e com tarifas cada vez mais altas (que vigoram mesmo que você tenha comprado – e pago – antecipadamente).

    Só mesmo com a ajuda da população e de políticos sérios poderemos reverter essa situação que se arrasta – e só piora – a cada ano.

    Grande abraço, Eliomar.

    • eliomar coelho disse:

      Cara Teresa,

      Pretendemos reapresentar nosso projeto de lei que determina licitação das linhas de ônibus e revisão de todo o sistema, dentro das discussões do Plano Diretor. Buscaremos a participação e colaboração da população no momento oportuno.

      Muito obrigado pelo seu comentário.

      Abs,
      Eliomar

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