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Desmatamento, não!

Quem conhece o Museu Chácara do Céu, em Santa Teresa, sabe que é um lugar com imensa área verde preservada. O projeto de recuperação do museu, atingido pelas chuvas de abril de 2010, prevê obras que provocarão desmantamento no local. O BNDES repassou R$ 6,2 milhões para recuperar encontas dos museus Chácara do Céu, em Santa Teresa, e Museu do Açude, no Alto da Boa Vista, que sofreram deslizamento de encontas nas chuvas de abril. O Ministério da Cultura repassará R$ 4,8 milhões para complementar o custo da reforma.

Com estes recursos, a Associação Cultural de Amigos dos Museus Castro Maya – que engloba as duas instituições – pretende tocar uma reforma que prevê a construção de salas para pesquisa, auditório, loja e cafeteria e do “Anexo do Céu”. Também está prevista a construção de um novo acesso ao museu pela Rua Dias de Barros, próximo ao Largo do Curvelo.

A Associação de Moradores de Santa Teresa publicou um petition online denunciando que a obra fere a legislação uma vez que a Chácara do Céu é bem tombado desde 1974. Tem belos jardins projetados por Burle Marx e projeto arquitetônica do arquiteto Wladimir Alves de Sousa dentro de mil metros quadrados arborizados.

Segundo a AMAST, o projeto foi realizado sem concurso público, sem estudos de impacto ambiental e sem consulta aos moradores. Fere o Estatuto da Cidade, a Lei Orgânica do Município e a lei 395/1984 que criou a APA de Santa Teresa, sustenta a entidade, acrescentando que a Rua Dias de Barros não tem capacidade para abrigar um pátio de estacionamento, cujo movimento provocará estrangulamento da via.

“Por que só agora, depois de anos de funcionamento, é necessário abrigo para o acervo que não está à mostra? Qual é o volume deste acervo a abrigar? Por que o programa funcional incluiu “cafés”, “lojas” e auditório para cem pessoas? O que indicou esta necessidade? Lembramos que há uma ponte de integração entre a Chácara do Céu e o Parque das Ruínas, centro cultural municipal contíguo à Chácara. Este parque dispõe de café, loja e auditório, subutilizados desde a sua inauguração. Por que construir mais espaços para atividades complementares e subalternas?”, questiona o abaixo assinado da AMAST. 



“Raymundo Castro Maia foi um ecologista “avant la lettre”. Amou o verde. Tanto que possuía duas residências: uma em Santa Teresa (a Chácara do Céu) – bairro reconhecido por seu significativo patrimônio natural, primeira APA em área urbana no Brasil, e que é “área de amortecimento” do ParnaTijuca – e outra dentro daquela unidade de conservação federal ( hoje conhecido como Museu do Açude e que também pertence à Fundação Castro Maia). Raymundo foi administrador do Parque Nacional da Tijuca por nove anos, sendo remunerado com um Cruzeiro ao ano. O desnecessário projeto de ampliação da Chácara contraria pois, frontalmente, o espírito de seu instituidor”, pontua a AMAST.

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