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Destruir casas e escolas: a “revitalização” da área portuária‏

O despejo do Colégio Estadual Vicente Licínio Cardoso: Nota pública redigida pelo Grupo de Educação Popular (GEP)

“Os profissionais da educação que trabalham no Colégio Estadual Vicente Licínio Cardoso tem passado por diversas dificuldades. No ano passado, praticamente ao longo de todo o segundo semestre tiveram que conviver com o barulho de máquinas e explosões, bem atrás da escola, efetivadas 24h pela concessionária que opera as obras de revitalização da área portuária. Além de tentar remover 800 famílias do Morro da Providência, despejar diversos cortiços e ocupações sem-teto, entregar verbas, solos e edifícios públicos para o capital privado, a “revitalização” e suas empresas ignoram a existência das escolas e dos que nelas estudam e trabalham. Em 2013, as obras continuam, mas os alunos, professores e funcionários do Colégio Estadual, no período noturno, não. Estes foram despejados do prédio compartilhado com a Escola Municipal Vicente Licínio Cardoso, que funciona pela manhã e pela tarde no edifício localizado bem ao lado da Praça Mauá, sendo jogados para outro prédio compartilhado com o município, na Rua Souza e Silva 16 (ao lado do Hospital dos Servidores, no bairro da Saúde), onde funciona a Escola Municipal Darcy Vargas.

Além da arbitrariedade do despejo, informado à direção da escola nas vésperas do início do ano letivo, o que podemos avaliar deste caso? Em primeiro lugar, a continuação da política de despejos de escolas e demissão de funcionários acelerada em 2012 (quase todos os funcionários da escola foram demitidos). Em segundo lugar, o jogo sujo que envolve a política de revitalização da área portuária, já que os interesses das empresas sobrepõem-se à preocupação com a educação pública (se falássemos de uma grande escola particular, será que teríamos obras que impediriam aulas? Despejos seriam feitos do dia para a noite e para condições péssimas?), e, em terceiro, o total descaso com a vida de alunos e profissionais da educação. Por que dizemos isso? Pois para a escola aonde foram jogados, além da falta de condições básicas para a prática pedagógica – sala e banheiro para professores e funcionários, carteiras para adultos (a maioria das carteiras são para crianças do ensino infantil), sala de informática e refeitório, etc. -, existe, bem na porta da escola, grupos de usuários de craques, venda de drogas, entre outras coisas. Com certeza, nenhum membro do governo e da Secretaria Estadual de Educação já circulou por esta rua à noite e nem se preocupou com as condições de trabalho e ensino dos seus “despejados”.

Por fim, vale destacar a força dos professores desta escola que têm se mobilizado contra esta situação. Como Grupo de Educação Popular (GEP), que organiza três projetos de educação popular na área portuária (no Morro da Providência e na Ocupação sem-teto Quilombo das Guerreiras) e reúne professores de diversas escolas do Estado, ajudamos a denunciar esta política de destruição da educação pública e a construir caminhos que sirvam aos trabalhadores. Mesmo sem a devida ajuda da direção do SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação), o que demonstra como o sindicato está afastado da categoria e sem o reconhecimento desta, precisamos tocar a luta, nos organizar nas escolas, nas comunidades, nas assembleias de base do sindicato (espaço onde ainda temos direito de voz e voto), e mobilizar para uma grande luta este ano contra a política de educação de Sérgio Cabral e Risolia, ainda que seja por meio de fortes greves e ocupações.”

GRUPO DE EDUCAÇÃO POPULAR (GEP)

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