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Discurso de despedida de Eliomar na Câmara Rio

“Eu costumo falar que vou viver 140 anos. Se houver alguns descontos, digamos que eu chegue aos 100 anos. Um quarto destes 100 anos passei nesta Casa. Um quarto, 25 anos! Aqui eu vivi, aqui eu aprendi, aqui eu fui eleito deputado estadual. Deixo de ser vereador, mas não deixo de ser desta Casa. Queria deixar muito claro que cheguei aqui imbuído de propósitos, com convicções, na certeza de que iria fazer ações voltadas para garantir uma melhoria de condições de vida para os moradores e moradoras da nossa cidade.

Primeiro, a atuação institucional de forma séria e responsável foi uma prioridade. Segundo, o mandato é espaço de apoio à organização e mobilização dos movimentos sociais. Terceiro, o compromisso desse mandato é contribuir de forma efetiva para a construção de nosso partido, à época, Partido dos Trabalhadores, e hoje Partido Socialismo e Liberdade, PSOL.

Vou até plagiar um pouco meu amigo, velho sambista de guerra, Monarco: “Se eu for falar de minhas coisas aqui nesta Casa, hoje não vou terminar”.

Porque passamos, Senhor Presidente, basta dizer, por três prefeitos nesta cidade do Rio de Janeiro.
Entrei aqui nesta Casa trazendo debaixo do braço já um substitutivo a uma mensagem do Executivo que aqui existia que tratava exatamente do desenvolvimento urbano, uso e ocupação do solo, saneamento básico e meio ambiente.

Entrei aqui nesta Casa, com o prefeito Saturnino Braga. Depois, prefeito Marcello Alencar, e sempre me refiro (a eles) dizendo que foram prefeitos promovendo as mudanças serenas, tranquilas no tempo e no espaço. Depois, fiquei um período sem mandato. Foi na primeira gestão da prefeitura do nobre vereador Cesar Maia. Mas, logo em seguida, eu assumo e aí o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Conde, e logo depois Cesar Maia, mais ou menos os dois com a mesma lógica impressa à administração da Cidade do Rio de Janeiro para o seu desenvolvimento. Eu sempre afirmo: essa lógica vanguardeada pelo pensamento neoliberal.

E depois o prefeito Eduardo Paes, a quem me refiro sempre como alcaide Eduardo Paes, que trabalha exatamente o aprofundamento e o aperfeiçoamento dessa lógica, inclusive usando a cidade do Rio de Janeiro como laboratório, para colocar em prática a concepção de uma cidade, concepção esta contra a qual tenho me batido da forma mais veemente, enfática, que possa acontecer!

Na forma como tenho tratado as minhas divergências – e às vezes eu tenho sido duro no tratamento delas –, nunca deixei de desrespeitar as pessoas a quem eu sempre me dirigi. Sempre tentei buscar fazer um debate no seu mais alto nível. Quando, por exemplo, eu falo do alcaide Eduardo Paes, quero dizer que por ele também tenho uma grande estima como pessoa, como vereador que foi nesta Casa. Mas quando entra na política, política é política, ele pensa de uma forma, eu penso de outra. Ele empurra, goela abaixo, a concepção de cidade que ele acha correta e aqui eu tenho, com toda a minha veemência, que ser contrário, mostrando que ele está totalmente equivocado e errado.

Eu quero dizer que o prefeito não passe a ter a impressão de que eu vou esquecer dele. Porque eu vou simplesmente trabalhar, que é o desejo e propósito na Assembleia Legislativa, pela região metropolitana. E, faz parte da região metropolitan, o Município do Rio de Janeiro. A região metropolitana do Rio de Janeiro é constituída de 21 municípios, e o Rio de Janeiro é um deles.

Aliás, uma das grandes críticas que eu sempre fiz aos prefeitos desta cidade, foi exatamente administrar o Rio de Janeiro como se só ele existisse, como se fosse totalmente separado de tudo e de todos, sem levar em consideração que aquilo que é feito aqui impacta as outras cidades. E o que acontece nas outras cidades impacta aqui. Portanto, não pode ser administrada da forma como está sendo.

Nesta Casa, eu pelo menos descobri a alteridade, aquilo que é o outro, e respeitei o tempo todo o outro diferente de mim. Mas, ao mesmo tempo, travei o bom debate com o outro, o debate bonito, naquele trabalho de convencimento. Vocês não têm noção do tamanho do carinho, do sentimento fraterno dentro de mim em relação ao Legislativo. Até a felicidade, no último dia, de liderar nesta Casa uma homenagem a um vereador que hoje já está na prática espiritual, o nobre Vereador Mauricio Azêdo, que foi um dos vereadores de maior dedicação que conheci nesta Casa.

Vamos homenagear um homem com capacidade de trabalho gigantesca, com capacidade de não arredar pé das suas convicções. O Maurício Azêdo, nesta Casa, também faz muita falta. Era um homem de integridade férrea e disposição de luta em relação àquilo que gostaria que fosse apresentado de forma diferente para ele. De maneira que nós vamos homenagear nosso companheiro Maurício Azêdo. Como sempre falo: Maurício Azêdo, presente!

E eu quero terminar, primeiro, agradecendo aos funcionários desta Casa, sem os quais nosso trabalho, como mandato, provavelmente não teria os resultados como foram desejados por nós. Eu quero, do fundo do coração, deixar o meu agradecimento para os ascensoristas desta Casa, copeiros, pessoal dos serviços gerais, servidores, técnicos. Minha querida Verinha. Eu queria, Verinha, em seu nome, fazer um agradecimento aos servidores da administração desta Casa.

Eu queria fazer um agradecimento especial aos movimentos sociais que garantiram a nossa existência nesta Casa, que sempre estiveram ao meu lado atuando junto na elaboração de políticas, e na luta, no campo da resistência.

A todos os assessores que passaram pelo meu gabinete desde o primeiro mandato.

Ao PSOL, seus militantes, dirigentes, e demais parlamentares.

Eu queria, da forma mais carinhosa possível, deixar aquele abraço carinhoso, fraterno, e acima de tudo, desejando que nós continuemos juntos por muitos e muitos anos.

Um abraço para todos.”

Eliomar Coelho

Veja o discurso e as intervenções de outros vereadores durante a fala de Eliomar no plenário no dia 11/12/2014.

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