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Era só mais um Silva que a estrela não brilha…


Mais dois Silva, Douglas Rafael da Silva, o dançarino DG, e Edilson da Silva Santos, são vítimas da ação de policiais de UPPs. Às mortes na favela Pavão Pavãozinho, na Zona Sul do Rio, soma-se o assassinato do pedreiro Amarildo Dias de Souza, morador da Rocinha que desapareceu em julho de 2013, depois de ser detido por policiais da UPP daquela comunidade.

As três mortes são emblemáticas atestam o abuso de autoridade e a violência policial praticada pelos militares que atuam nas Unidades de Polícia Pacificadora. E apontam para um fato evidente: o projeto de “pacificação” dá sinais de crise.

Os constantes confrontos entre policiais de UPPs e traficantes na Rocinha, Complexo do Alemão, e a ocupação do Complexo da Maré – que foi ocupada pelo Exército – são indícios de que o programa de segurança do governo não se sustenta e precisa ser questionado. Ontem (27/04), foi a vez da moradora Arlinda Bezerra das Chagas, de 72 anos, que foi baleada e morta durante invasão no Complexo do Alemão. Ela foi atingida ao proteger o neto com o próprio corpo.

A presença ostensiva da polícia nas favelas mostra a opção do governo pela militarização do cotidiano das comunidades. É a mesma lógica de ocupação do espaço urbano praticada por traficantes e pelas milícias. Política de segurança pública não pode ser sinônimo de intervenção policial. O resultado: em cinco anos de implementação do projeto UPPs, contabiliza-se 25 moradores mortos em favelas que receberam essas unidades (se forem incluídas as vítimas da chacina do Juramento).

“Os policiais chegam revistando com o fuzil apontado, invadem a sua casa, é demais”, conta um morador do Pavão e Pavãozinho entrevistado pela equipe da BBC. A morte de DG e Edilson, aliás, ganhou o noticiário internacional a pouco menos de dois meses do pontapé inicial da Copa do Mundo.

Na opinião do pesquisador Rafael Dias, da Justiça Global, “a UPP foi alçada a um patamar de solução mágica para a segurança pública, sem atentar para alguns elementos que seguem inalterados nessa mesma política de segurança.” Um dos pontos críticos, para o sociólogo Ignácio Cano, coordenador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro “é a falta de mecanismos institucionais para melhorar a relação entre policiais e moradores das favelas ocupadas.”

Como observa Dias, os princípios da polícia comunitária não são aplicados nas áreas de UPP, onde impera o policiamento ostensivo e o modo coercitivo no lugar da medição de conflitos.

“Um avanço seria tratar as questões do tráfico de drogas sem recorrer à lógica da guerra, que estimula a produção de uma sociabilidade violenta”, defende o pesquisador.

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