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Greve no Colégio Pedro II: e o governo se importa?

Já dura um mês a greve dos professores e funcionários do Colégio Pedro II. A greve dos profissionais de ensino da rede estadual superou esta marca. Professores cruzam os braços por melhores salários e condições de trabalho e a impressão é que os governos não se importam.

O resultado do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), por mais que se conteste sua real capacidade de avaliar as escolas brasileiras, revelou que oito em cada dez instituições públicas ficaram abaixo da média do exame de 2010. O ranking das piores escolas lista 20 públicas. Entre as escolas com a piores médias, 995 são públicas e cinco privadas.

Embora, mais uma vez, o desempenho das escolas públicas exponha o descaso das autoridades frente ao enorme contingente de alunos da educação pública, o colégio Pedro II/Unidade São Cristóvão e o CAP/UFRJ – instituições federais que ficam no Rio – subiram no ranking do Enem.

O Colégio de Aplicação da UFRJ – que também enfrentou greves este ano – e o Colégio Pedro II são considerados oásis dentro do sistema público educacional. O CAP/Uerj também se destaca e ficou entre as 15 melhores escolas da cidade no ranking do Enem – na frente de dezenas de colégios particulares.

Mas deve-se registrar que, mesmo nesta ilha de excelência, a falta de investimento se faz sentir. O CAP/Uerj continua entre os líderes mas baixou do 4º lugar para 11º este ano. O sucateamento, que é regra nas demais escolas da rede do estado e munícipio, também atinge as unidades federais. Faltam professores, faltam inspetores, faltam recursos, falta material e falta até motivação.

Por mais que haja boa formação e seriedade entre os profissionais de ensino (muitos possuem mestrado e doutorado), é necessária a contrapartida do governo garantindo salários compatíveis, investimento, atenção real e boa infraestrutura.

O mesmo vale para qualquer escola da rede pública, mesmo as que estão muito distantes da realidade do Pedro II e dos CAPs.

Mas se governos federais, estaduais e municipais não prezam a busca da melhoria do ensino, não aplicam o suficiente e não trabalham, de fato, para elevar e manter um nível digno de educação, entre mortos e feridos, já estão perdendo todos.

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3 respostas a Greve no Colégio Pedro II: e o governo se importa?

  1. claudio de azevedo disse:

    Já é escroto fazer vestibular agora mais uma ENEN o corrupção safada em termino 2ºgrau ver qual faculdade apropriada para fazer ainda ter que fazer vestibula e enen que isso so aki no brasil isso é uma sacanagem pelo que sei tendo boa média ja é engajado no tal da pa entender isso vestibular e enen mudem LEIS do pais ja ta na hora. RIDICULO.

  2. Helena disse:

    Li uma frase em um desses sites do movimento grevista dos professores do Pedro II: “Vamos em frente, até a vitória”. Fiquei pensando nessa frase e matutando o que eles queriam dizer com “vitória”. Será que ainda pode haver vitória nesse processo? A greve é o caminho? São 48 dias de greve de professores e funcionários. 48 dias de crianças e adolescentes em casa, ou por aí. 48 dias de nada, de internet, de televisão. 48 dias de crianças e adolescentes sem assistir aula, nenhuma aula, sem fazer dever de casa, pesquisa, prova. 48 dias de descaso, de informações desencontradas por parte dos professores, de silêncio por parte do governo.
    Nós nos acostumamos com a situação. Minha filha mais nova me perguntou outro dia se o colégio do irmão havia acabado. Achei engraçado e pensei em responder que sim. Mas, parando um pouco para pensar, isso é muito triste, um absurdo! Ele está matriculado em uma instituição de ensino, tem 16 anos e não tem aula?
    Alguma hora, vão voltar e farão um esquema de reposição dos dias de aula, que todo mundo sabe que não repara o que já foi perdido. O conteúdo já foi por água abaixo, a tal construção do conhecimento foi destruída. Sem falar no pessoal que está às portas do ENEM e dos vestibulares. Quem pode, corre para um cursinho. Quem não pode…
    Quando se fala em greve de médicos, as pessoas ficam chocadas. Aparece gente morrendo na porta do hospital e a indignação é geral. Mas e a escola? E a saúde mental desses jovens? E a educação em seu sentido mais amplo? Educação não é serviço essencial?
    Tenho lido nas manifestações dos grevistas que todos consideram educação muito importante. Li até que um representante da direção do Pedro II disse que, mesmo em greve, o colégio forma cidadãos. Lá em casa, estamos recebendo uma lição e tanto de cidadania. É mais ou menos assim: Trate de ficar rico para pagar uma boa escola particular para o seu filho. Educação não é um direito de todos.
    Em resumo: isso tudo é lamentável. Me sinto uma monstra por, ao escolher o Pedro II como escola para meu filho, tê-lo posto nesta situação. 2 meses de greve é crueldade.

    • Eliomar Coelho disse:

      Cara Helena,

      Entendo sua revolta. Os alunos são vítimas do sucateamento da educação pública. Os professores também o são. Em todas as esferas, não se prioriza, de fato, o ensino público. Os CAPs e Colégio Pedro II são prova disso uma vez que vem perdendo qualidade. Que bom seria se os professores não precisassem fazer greve porque tem salários dignos e boas condições de trabalho. Todos estamos perdendo. Ter que pagar pela educação privada (que não é necessariamente garantia de melhor nível) é uma derrota. Mas é fato que muitos pais acabam desistindo da escola pública em busca de um sistema de ensino de melhor qualidade na rede privada.

      Abs,
      Eliomar

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