Rio - 3 de outubro de 2013

Indignação e luta


Perplexidade, tristeza e indignação. Esse é o sentimento do Mandato Eliomar Coelho diante de tanta intransigência e violência descabida contra professores, e em última análise, contra o cidadão comum que ontem, mais uma vez, teve seu direito cerceado e viu o Centro transformado em praça de guerra. Culpa dos professores? Não! A responsabilidade recai sobre o prefeito e o presidente da Câmara que invocaram um Estado de Exceção para votar, na base do rolo compressor, um Plano de Cargos e Salários que de tão insatisfatório suscitou a mobilização massiva da categoria.

Ação na Justiça para anular sessão fechada
Um grupo de vereadores, entre eles os parlamentares da bancada do PSOL/RJ foi, hoje (02/10), ao Tribunal de Justiça pedir a anulação da sessão que aprovou, ontem (01/10), o Plano de Cargos e Salários dos Professores. Eliomar Coelho e os demais parlamentares abandonaram o plenário antes da votação em protesto contra a forma como foi conduzida a tramitação. A sessão foi realizada sem a presença da população, impedida de entrar pela PM que foi convocada pela presidência da Casa. As galerias estavam vazias. Eliomar considera que houve ilegalidade porque a votação foi fechada e secreta. Sob o barulho das bombas que estouravam na Cinelândia, o Plano acabou aprovado em segunda discussão, com 36 votos a favor e 3 contra.

Intransigência com aparato de ditadura
“Tenho aqui nas minhas mãos um documento assinado pelo alcaide Eduardo Paes. É um documento de 7 de outubro de 2008, quando Paes era, então, candidato a prefeito do Rio. O título: “declaração de compromisso de Eduardo Paes com os servidores públicos municipais. No décimo item está o Plano de Cargos. Paes finaliza: “a motivação dos servidores é condição necessária para o sucesso de qualquer administração. Tenho certeza que faremos uma parceria bem sucedida em benefício do povo do Rio de Janeiro”. Fiz questão de ler porque assisti a uma entrevista do alcaide dizendo que há muitas inverdades por conta da situação em que nos encontramos. Uma delas é que o regime de urgência é uma exigência do Sepe. O que o Sepe queria era que houvesse um trabalho de elaboração e discussão com a categoria como mandam os princípios democráticos. Leia pronunciamento de Eliomar antes da votação do Plano, na terça-feira (01/10). Ou veja o vídeo.

“Os policiais não são jagunços”

Até os advogados no exercício profissional estão apanhando. “O diálogo ainda é a melhor solução. Os policiais não são jagunços. O papel da polícia é proteger a sociedade”, concluiu o presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, Wadih Damous, em nota de repúdio pela violência praticada nos últimos dias pela Polícia Militar contra os professores que estão em greve. A proposta de moção de Wadih foi acatada pelo Conselho Federal da OAB que encaminhou a nota, nesta quarta-feira (2/10), ao governo do Rio. A moção foi aprovada por unanimidade pelos demais conselheiros federais, que estiveram reunidos em Brasília em sessão na terça-feira (1/10).

Repressão inaceitável
A convocação da PM – que parece ter se tornado uma prática corriqueira por parte da presidencia da Câmara – ganhou dimensões absurdas ontem. Além das grades que cercaram o Legislativo, multiplicavam-se as viaturas do Batalhão de Choque nos arredores da Cinelândia. Um efetivo militar ostensivo com o simples objetivo de impedir a entrada dos professores no plenário. Mas as grades não foram suficientes. Diante dos protestos genuínos da categoria, a PM respondeu com bombas de gás lacrimogênio e spray de pimenta provocando tensão e violência que se alastrou por outras ruas do Centro. Enquanto o presidente do Legislativo afirmava que o plenário era o lugar mais seguro na cidade, o Plano foi aprovado com galerias vazias sob o som das bombas que explodiam do lado de fora. Pelo menos 20 pessoas ficaram feridas.

Porque a greve continua

“É importante lembrar que não se trata só de uma discussão sobre o Plano de Cargos e Salários. Nós temos uma pauta pedagógica mas infelizmente o governo congelou essa discussão, como sempre com uma postura muito autoritária, muito prepotente, desmosntrando, tanto o governo, na figura de Eduardo Paes, quanto da secretária Municipal de Educação, Claudia Costin, um desconhecimento profundo do que é a realidade das escolas e creches da cidade . (…) Há problemas gravíssimos de estrutura que impedem o funcionamento de muitas escolas, as salas são super lotadas, há uma imposição de metologia para que nossos alunos não aprendam. E esta proposta enviada a Câmara ataca a carreira de todos os profissionais da Educação”, explica, em vídeo, a professora Suzana Gutierrez. Na foto, os professores aguardam a votação antes da repressão policial.

Passeata na segunda-feira
A indignação provocada pela ação policial contra os professores já se viralizou nas redes sociais. A passeata promete repetir a mobilização ocorrida no dia 20 de junho.
Dia: segunda-feira, 07/10
Hora: 18h
Concentração e percurso: Candelária até a Cinelândia

Suzete, presente!
Quem teve o privilégio de conviver com a companheira Suzete Watt sabe que, para além do compromisso político-partidário, a psicológa era de uma solidariedade a toda prova. Como marcas indeléveis, sua humanidade e fraternidade. Não era preciso pedir. Suzete adivinhava o que os amigos queriam e precisavam. E estava sempre lá com tudo pronto e organizado. Fundadora do PSOL, ela foi dirigente do Central dos Movimentos Populares e militou nos Núcleos de Mulheres do PT e do PSOL. Uma missa em sua homenagem será celebrada na Igreja Anglicana de Santa Teresa, no próximo sábado, dia 05/10, às 17h.

RIO ANTIGO
Quando a Praça Vinte e Seis de Janeiro, em Copacabana, ganhou o restaurante-balneário Lido – durante as comemorações do centenário da Independência – o lugar foi rebatizado. O restaurante não existe mais. Em seu lugar surgiu a Escola Municipal Roma que tem uma bela vista da praia. Mas o nome ficou. Em 1928, em função de uma reforma liderada pelo prefeito Prado Júnior, foi construído um pavilhão em estilo normando onde ficou famoso um jantar dançante. Viaje no tempo.