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Jogos Olímpicos. Realidade ou ficção?

Às vezes fico perplexo, na condição de morador, vereador e estudioso da cidade do Rio de Janeiro, quando leio e assisto o entusiasmo dos nossos governantes ao anunciar a quantidade de obras, dos mais variados tipos, desde infra-estrutura urbana até complicados complexos desportivos, anunciadas com o objetivo de oferecer todas as condições exigidas pelas entidades esportivas internacionais como pré-requisito para sediar tanto a Copa de 2014 como as Olimpíadas de 2016. O custo avaliado para a preparação e a realização dos dois eventos é de 27 bilhões, no caso da Copa do Mundo, e de 28,8 bilhões, no que se refere às Olimpíadas.

Para ficar só nos transportes, as promessas de melhorias e suas respectivas cifras são “um assombro”. Para o aeroporto Tom Jobim, por exemplo, está prevista a remodelação dos dois terminais existentes, com a construção de mais dois terminais-satélites e a instalação de um sistema de transporte ligando o Aeroporto Santos Dumont às estações Cinelândia e Zona Sul da cidade.

Para o modal transporte-trem, a previsão é de gastos na ordem de US$ 1,1 bilhão para comprar 120 vagões, reparar 94 e remodelar cinco linhas. A idéia é que o Metrô invista até US$ 1,2 bilhão para aumentar em 43% o número de composições, chegando até o Leblon, na linha 1, com novas sete estações e ampliando a linha 2 em mais uma nova estação.

Os ônibus rápidos, chamados BRTs (Bus Rapid Transit) – tão debatidos e até hoje inexistentes em nossa cidade – consumiriam mais US$ 1,5 bilhão com a construção do corredor T5 (Barra-Penha, com integração ao trem e à linha 2 do Metrô, 38 km de extensão e 355 veículos); a linha C (Barra-Deodoro, 15 km de extensão, 8 estações e 130 veículos) e um terceiro corredor ligando a Barra à Zona Sul (29 km de extensão,17 estações e 283 veículos).

São, realmente, números impressionantes. Como morador aguardo com sincera ansiedade as melhorias anunciadas, desejando que a oportunidade desse novo olhar –finalmente! – seja aproveitado para focar também os demais modais de transporte que atuam na cidade, a fim de garantir aos passageiros o conforto, a segurança, a pontualidade e o preço justo que devem ser obrigação das prestadoras desse serviço público.

Neste momento em que escrevo, encontra-se em nossa cidade uma comissão julgadora do COI (Comitê Olímpico Internacional). Fico imaginado o que poderia causar a eles as imagens do espetáculo de selvageria dos seguranças da empresa de trens para com os passageiros que utilizam esses serviços, açoitando-os para forçar a entrada nos vagões superlotados. Realidade ou ficção?

Esses ilustres membros do COI por acaso andaram nos ônibus de nossa cidade? Foram submetidos ao tratamento desrespeitoso dado aos passageiros, principalmente nas horas de pico, com veículos superlotados e que causam até mortes provocadas por arrancadas violentas que os motoristas fazem nos pontos de embarque e desembarque dos passageiros?

Já imaginou esses doutores presenciando os últimos acontecimentos ocorridos nas barcas, onde milhares de passageiros ficaram a “ver navios”?

Será que eles têm conhecimento de que a exploração das linhas de ônibus por terceiros acontece de modo totalmente irregular, já que as permissões são concedidas sem passar por qualquer processo licitatório?

O que me deixa perplexo é que tudo isto que o cidadão carioca almeja há tantos anos só será realidade por conta da realização em nossa cidade desses eventos esportivos. Será?

Desculpe o ceticismo, mas não custa perguntar: e se os Jogos Olímpicos não se concretizarem? Todo este esforço, este mundo maravilhoso prometido aos cariocas não acontecerá? É preciso viver correndo atrás de mega-eventos para que nossa cidade tenha a infra-estrutura que merece? Toda esta pressa, que acaba gerando obras sem licitações, superfaturadas e mal acabadas é só o que sabemos fazer (quem se lembra dos Jogos Pan-americanos?)? Será que não temos capacidade – ou vontade política – de caminharmos por nossas próprias pernas?

Ou será que é o modelo de cidade que nos últimos anos os nossos governantes têm adotado que está errado? Você já parou para pensar em quem lucra com isto?

Tomará que os Jogos Olímpicos consigam trazer algo de bom para nossa cidade e que possamos, realmente, usufruir o chamado “legado olímpico”.

Nossos bravos atletas brasileiros e o heróico cidadão carioca agradeceriam.

Voltaremos a esse tema que gostaríamos de discutir com você, cidadão(ã) carioca, que deseja o melhor para o Rio de Janeiro.

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4 respostas a Jogos Olímpicos. Realidade ou ficção?

  1. mikaela disse:

    esse site tenque melhorar muito

  2. João Augusto disse:

    Em todo comentário que li ou ouvi, nenhum mencionou o trajeto, locais e ruas que serão afetados com desapropriações e minha preocupação é ser enxotado de minha casa de forma repentina, e, sem ter para onde ir, pois isso tem ocorrido com certa constância no Rio de Janeiro. Como não sou bandido não terei a defesa dos direitos humanos nem dos partidos que dizem respeitar as minorias, até o momento em que assumem e não tem mais como esconder o discurso hipócrita.

    • eliomar coelho disse:

      Caro João Augusto,

      Temos todo o projeto detalhado. Sugiro que você entre em contato com os assessores do mandato que cuidam do assunto para que possamos esclarecer melhor sobre ruas e locais que serão afetados. Você pode procurar o Jorge Borges ou a Denise Penna Firme. Ou se preferir, venha conversar comigo (3814-2008).

      Abs,
      Eliomar

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