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Outro exemplo de mal planejamento: Pier em Y no Porto

Depois de causar celeuma e ser questionado por uma penca de arquitetos, o Pier em Y não será mais construído. Pelo menos não antes de 2016, previsão da prefeitura e da Companhia Docas. O projeto foi abortado depois do consórcio Rio Y Mar – contratado para executar a obra – ter gasto R$ 10 milhões de um orçamento total de R$ 223,2 milhões.

A obra que foi cancelada não faz mais parte do PAC2. Ou seja, a fonte garantida de recursos secou. E a Companhia Docas terá que encontrar outra forma de financiamento para um projeto de alto custo que causou grande polêmica.

O píer parecia só ter mesmo o apoio do prefeito e da Companhia Docas. Recebeu uma saraivada de críticas de orgãos como IAB, Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural, secretária municipal de Cultura e de uma dezena de especialistas em urbanismo. O professor da Faculdade de Arquitetura da PUC, Pedro Rivera, por exemplo, rotulou o projeto de “estrupício”.

O projeto não foi analisado pelo Conselho Municipal de Proteção Cultural. Como os armazéns de 1 a 7 são tombados, qualquer alteração deveria ter sido aprovada pelo órgão. Além disso, também contrariava a logística portuária que prevê o estacionamento paralelo de navios no Cais do Porto.

A Companhia anunciou a interrupção da obra e não falou em projeto alternativo. Coincidentemente, a prefeitura chegou a anunciar o fim do Porto Olímpico com a transferência da Vila de Mídia e de Árbitros da Zona Portuária para Curicica. O Comitê Rio 2016 negou a informação confirmada pelo prefeito mas deixou dúvidas no ar.

O Porto Maravilha que já foi iniciado com a demolição de trechos da Perimetral, e a instalação do caos na cidade, dá mostras de mal planejamento. Na Rio – que alguns chamam de Hell de Janeiro – a mobilidade urbana às portas da Copa do Mundo visivelmente se deteriorou.

E parece que as obras de revitalização do Porto correm sério risco de perder seu prazo de validade, ou seja, a data de término. Como bem definiu, em matéria publicada em O Globo, o presidente da Companhia Docas, Jorge Mello, “a Olimpíada era uma oportunidade em forma de cavalo selado que a gente deixou escapar”.

Procurado pela imprensa, o prefeito preferiu não se pronunciar. E mais uma vez, surgem informações desencontradas do COI e do Comitê Rio 2016. Ninguém se entende e quem paga a conta pela incapacidade de traçar estratégias viáveis é o morador que circula na cidade pré-olímpica.

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