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Mobilização estudantil contra calor e contra redução do passe livre


Até os professores engrossaram o movimento dos estudantes do Colégio Pedro II, em São Cristóvão, em protesto contra o calor nas salas de aula que resultou em repressão da PM na última segunda-feira. A “sauna de aula” é compartilhada também por grande parte dos alunos da redes estadual e municipal, onde o prometido projeto Climatizar – que previa instalação de aparelhos de ar-condicionado – não chegou para muitas escolas.

Imagem de Amostra do You Tube

Para deixar os estudantes do CPII ainda mais indignados, sabe-se que o colégio gastou R$ 105 mil na aquisição de 28 aparelhos, dos quais seis foram destinados à unidade São Cristóvão. Hoje, o colégio conta com um total de 14 ar-condicionados. Mas somente três salas de aula foram agraciadas. Na maioria, mal funcionam ventiladores velhos e barulhentos. Enquanto isso, a direção e outros setores administrativos estão bem refrigerados.

Imagem de Amostra do You Tube

Os estudantes do Pedro II provaram que vale a pena gritar e protestar. A PM reagiu com violência. Mas a manifestação garantiu avanços. Segundo João Pedro Accioly, do grêmio estudantil e do Núcleo de Juventude do PSOL, na próxima terça-feira, haverá uma reunião com a direção da unidade. Mas já aventa-se a possibilidade de parte dos alunos ser transferida para um pavilhão climatizado, construído para abrigar a futura universidade da instituição. Uma construção, segundo João Pedro, feita sem a autorização do Cades (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Os alunos querem se mudar e ficar. Eles reivindicam o direito de permanecer neste pavilhão. Também reclamam a volta da cantina e a flexibilização das regras quanto ao uso do uniforme e quanto ao direito de sair e retornar à unidade durante o intervalo do recreio.

A mobilização por melhores condições em sala de aula já serve de aquecimento para a luta contra a mudança na regra do passe livre. Das 156 passagens mensais a que tinham direito, os alunos agora contam com apenas 60 passagens. A revolta é grande. Muitos alunos não tem condições de arcar com esta despesa. Alguns já se vêem obrigados a faltar à escola.

Uma grande manifestação marcada para o próximo dia 31 de março, no Centro do Rio, reunirá alunos das redes pública e privada e o Sindicato dos Professores em um protesto massivo contra esta medida absurda e inconstitucional. Em 2010, nosso mandato apresentou projeto de lei para restituir os 156 passes eletrônicos aos alunos da rede pública.

Esta garotada não teme cacetetes nem spray de pimenta.

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Uma resposta a Mobilização estudantil contra calor e contra redução do passe livre

  1. Ana Paula S. Accioly disse:

    É a juventude promovendo mudanças!!

  2. Lastimável a condição das escolas do Brasil, em especial do RJ.
    Mais lastimável é saber que a polícia fluminense serve para reprimir manifestações legítimas por direitos mais que necessários e básicos.
    Por outro lado, é muito bom ver que ainda há jovens estudantes que conhecem seus direitos e lutam por eles. E o que é melhor, sem o incentivo de emissoras de televisão que fabricam movimentos como os dos “caras-pintadas”, cujos supostos líderes que “lutavam contra” hoje apertam a mão dos antigos adversários.

    Um abraço.

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