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Mudança de postura no trânsito só virá com punição efetiva

O Rio de Janeiro está na 12ª posição no índice Copenhagenize, que aponta as cidades mais amigáveis aos ciclistas (bikes friendly). Mas, ironicamente, vê crescer o número de mortes em acidentes envolvendo os adeptos da bicicleta. Para além da ampliação da malha cicloviária – uma promessa da prefeitura -, falta educação e respeito aos ciclistas (e pedestres) e fiscalização ostensiva do Poder Público para criar uma nova cultura no trânsito.

Quando a lei do cinto de segurança foi sacramentada, poucos motoristas ou passageiros tinham o hábito de se proteger. Hoje, é difícil um condutor ou copiloto não usar cinto. Mas o que motivou a mudança de atitude foi a fiscalização ostensiva nas ruas e punição, de fato, dos infratores. Ainda assim, há quem viaje no banco de trás sem segurança porque não se aplica a mesma cobrança, apesar da obrigatoriedade.

A incentivar a impunidade de quem dirige sem cautela e desrespeita a legislação, um frágil sistema punitivo e a negligência da prefeitura que não age de forma dura e não cobra responsabilidades e multas. E por que as empresas tem direito de manter o anonimato dos motoristas? O sistema de transportes de ônibus é deficiente, não oferece qualidade aos usuários, e a prefeitura já acena com mais um aumento de tarifa que premiará os empresários do setor.

Sabe-se por exemplo que o ônibus que matou o dentista Pedro Nicolay, na última terça-feira (30/04), acumula 19 multas, cinco por excesso de velocidade. Nos três primeiros meses do ano, a frota recebeu 52 mil multas . Ou seja, uma multa aplicada a cada dois minutos. E isso não basta se não há cobrança.

Não podemos aceitar que este seja o padrão de comportamento dos motoristas de coletivos. Sem querer demonizar uma categoria, é evidente a violência ao volante empregada por uma grande maioria de condutores. Avanços de sinal são uma constante. Se um carro transforma-se em arma nas mãos de um motorista incauto, o que dirá um veículo do tamanho de um ônibus?

De nada adianta o Rio de Janeiro ter quilômetros e mais quilômetros de ciclovia e subir da 18ª para a 12ª posição no ranking Copenhagenize se não existe um trabalho efetivo de formação dos motoristas (para mudança de mentalidade) associado a uma fizcalização séria e permanente.

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