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Mudanças no trânsito: do antiplanejamento ao caos urbano

“Onde está o projeto da demolição da Perimetral? Quanto vai custar? Quais serão as alternativas de tráfego durante e após a conclusão das obras? Como ficarão os acessos à Ponte e à Avenida Brasil? As poucas informações públicas indicam redução de espaço viário nos acessos existentes. É prudente investir nesta monta, em prazo tão curto, num cenário econômico de tanta incerteza?” (Janeiro de 2012)

O trecho acima foi retirado de um texto nosso publicado em janeiro de 2012. Desde a apresentação do projeto Porto Maravilha, já alertávamos para as inúmeras lacunas deixadas pela prefeitura do Rio no que diz respeito à criteriosa avaliação dos impactos viários, sociais, econômicos e ambientais.

Hoje, anos depois de tantos questionamentos sem respostas, as ruas não mentem. A população da cidade do Rio de Janeiro foi jogada numa grande arapuca que vai nos custar muito. Realmente, para tornar o Rio de Janeiro a cidade mais lenta do Brasil era preciso muito talento. Tínhamos uma rede viária de padrão radial, com vias estruturais que permitiam o escoamento dos grandes fluxos que precisavam cruzar o Centro da cidade, entre as regiões norte e sul. Tínhamos transportes públicos de massa (trens e metrô) que poderiam servir como uma “espinha dorsal” a expandir-se em rede e conduzir o crescimento dos bairros periféricos de forma minimamente racional.

Mas optou-se por um embelezamento de uma região do Centro histórico, por um adensamento com velocidade sem precedentes e por uma total desarticulação dos sistemas viário e de transportes públicos existentes. O resultado: cidade mais lenta do Brasil. E os prognósticos são de que essa “via crúcis” do carioca dure pelo menos dois anos. Até lá, como sustentar economicamente o pequeno comércio e serviços que são oferecidos no centro da cidade? Será que haverá condições de sustentabilidade econômica para esse segmento com a evidente queda na demanda que tantos transtornos causarão? Além disso, como a demanda por transporte público aumentará, quem conduzirá a ampliação e a melhoria dos serviços por ônibus. Por tudo o que já foi apurado, não resta mais dúvidas que a prefeitura não tem a menor capacidade de fiscalizar e conduzir a execução do atual contrato dos consórcios de ônibus.

Nossa população continuará refém de empresas que não tem o menor compromisso público, sócias de um governo municipal que não tem o menor escrúpulo. E o Ministério Público? O que fez? Ao constatar que os diversos estudos de impacto ou não foram feitos, ou eram claramente insuficientes e ineficazes, tratou de colocar “panos quentes” e propor um termo de ajuste de conduta que ninguém sabe por onde anda e de nada adiantará. O carioca vai ter que reaprender a viver no Rio.

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