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Muros para que te quero?

icone-urbanismo“Cá para baixo, na Cidade Maravilhosa, a do samba e do carnaval, a situação não está melhor. A ideia, agora, é rodear as favelas com um muro de cimento armado de três metros de altura. Tivemos o muro de Berlim, temos os muros da Palestina, agora os do Rio. Entretanto, o crime organizado campeia por toda a parte, as cumplicidades verticais e horizontais penetram nos aparelhos de Estado e na sociedade em geral. A corrupção parece imbatível. Que fazer?” – José Saramago.

Corroboro cada palavra do texto acima, do escritor português José Saramago, publicado recentemente em seu blog “O Caderno de Saramago”, sob o título “Raposa do Sol”.

O que fazer diante de uma proposta que é uma aberração, uma segregação lamentável? É um retrocesso na história contemporânea onde o muro de Berlim há muito foi derrubado, onde o paredão com espessura de oito metros de concreto construído em torno da Cisjordânia e de Jerusalém – o muro da Palestina – é chamado de “Muro da vergonha”.

A medida que o Governo do Rio pretende adotar é um absurdo total, que vai na contramão do desenvolvimento da humanidade. Não se resolve o problema do crescimento das favelas cercando seus moradores como se fazia nos tempos medievais. E, naquela época, os muros tinham outro objetivo. Eram uma tentativa tosca de garantir a proteção das cidadelas. E, a julgar pelos fatos, não conseguiram.

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Uma resposta a Muros para que te quero?

  1. Maicon Carlos disse:

    Cada vez mais absurdos são promovidos por esses governos, é revoltante essa situação, precisamos nos mobilizar!

    Parabéns pelo blog companheiro!

  2. Lucas disse:

    Parabens pela matéria e pela idéia do blog! São iniciativas como esta que democratizam cada vez mais nossa política e a tornam mais participativa.

    • eliomar coelho disse:

      Caro Lucas,

      O que democratiza nossa política é a participação de pessoas como você, a participação efetiva da população carioca!

      Abs,
      Eliomar

  3. Armanda disse:

    Olá, gostei de saber do seu blog, vamos fazer dar certo.
    Quanto a “murar” as favelas cariocas, não vejo nada além do fato de limitar a expansão das mesmas, e, o mais importante, a preservação da floresta. Discordo da idéia de segregacionismo, pois a minha casa tem muros, tem limites, sei onde ela começa e termina, simples assim! Quando delimitamos algo, o identificamos. A partir daí será possível saber da sua existência, responsabilizarmo-nos. Chega dessa hipocrisia de separar “eles de nós”, a diferença existe! Temos que diminuir a desigualdade social, não sermos passivos com a destruição da mata, coitado, precisam de moradias. Os (des)governos do Cesar Maia fingiram que as favelas não existiam, olha no que deu! Não é solução deixar a expansão da favelização ou de construções de mansões nas encostas dos morros cariocas. A solução existe e é a longo prazo, infelizmente, sim, mas temos que agir em benefício de todos, natureza, cidadãos. Não dá pra beneficiar meia dúzia agora e ferrar uma geração amanhã.

    • eliomar coelho disse:

      Cara Amanda,

      Obrigado pela participação. Esta troca justifica a existência do blog. O assunto ainda vai render muito material dentro e fora desta página.

      Abs,
      Eliomar

  4. luiza pessoa disse:

    Eliomar, no meu entender toda essa discursão em torno dos muros para cercar as favelas e assim evitar mais desmatamentos parte de um foco equivocado: as favelas. As florestas, os parques ,as lagoas, os mangues , enfim todas as áreas de preservação ambiental têm que ser conservadas. Então deve ser feito um levantamento técnico, sério, de todas essas áreas e a partir daí delimitá-las, “cercá-las ” de tal forma que se estabeleça alí uma política de tolerância zero .Nem pobre,nem rico, nem médio poderão invandí-las. O foco é : “cercar” as apa’s, não as favelas. Bem, o que já foi invadido deve ser urbanizado,saneado,etc a fim de que a relação entre essa população e a natureza seja a mais harmônica possível.

    • eliomar coelho disse:

      Cara Luiza,

      Fato inegável é que é preciso preservar as matas antes que seja tarde demais. Mas existem formas e formas de preservação.

      Abs,

      Eliomar

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