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Museu do Horto é memória

“Durante anos, os moradores do Horto vêm cuidando desta localidade como extensão de suas vidas, impedindo, inclusive, a implantação de projetos de grande impacto sócio-ambiental, como a construção do cemitério Santa Catarina de Siena (de iniciativa do então governador Carlos Lacerda) e de um conjunto residencial do BNH, de 35 blocos de 6 andares cada, ambos projetos da década de 1960 para a região.

Hoje, a área é ocupada por 589 famílias de baixa renda, formadas, em sua maior parte, por pessoas idosas. A importância de apresentarmos a história da Comunidade do Horto Florestal e de seu território tradicionalmente ocupado, justifica-se como meio de preservação da cultura local e do modo de vida de seus moradores, entendendo-se como patrimônio imaterial excepcional e singular. Justifica-se, igualmente, como afirmação do constitucional direito de morar e, portanto, o reconhecimento do direito à posse como condição material fundamental para o gozo do direito à memória.”

O Museu do Horto, página eletrônica inagurada este mês, tem como objetivo contar a história da comunidade do Horto e de seus moradores. Desta forma, faz um registro da memória do lugar e dá conta de sua exata situação. Vale a pena visitar o Museu do Horto.

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2 respostas a Museu do Horto é memória

  1. Fernando disse:

    O Jardim Botânico é patrimônio publico, é de todos. Saiam invasores!
    A Lei é para todos! Cumpra-se!

    • Eliomar Coelho disse:

      Caro Fernando,

      As 19 comunidades instaladas no Horto ocupam uma grande área da União. Das 589 famílias, apenas 50 encontram-se dentro do arboreto (área destinada à visitação). Na sua grande maioria, são famílias de funcionários ou ex-funcionários ali instaladas há pelo menos 40 anos. A própria direção do Jardim Botânico cedeu terreno para que fossem construídas as casas a fim de que houvesse uma vigilância permanente por parte de funcionários-moradores.

      A Secretaria de Patrimônio da União trabalha dentro da lógica do direito sagrado à moradia, função social que norteia a política do Ministério das Cidades, quando define a política de desenvolvimento urbano para o Brasil. Dentro do processo de regularização fundiária, a secretaria envolveu instituições respeitadas como a UFRJ e o ITERJ (Instituto de Terras do Rio de Janeiro) com a intenção de fazer o levantamento da situação sócio-econômica e o histórico das 589 famílias.

      Na ata de uma das reuniões para discutir a situação dos moradores, em 2008, Célia Ravera do ITERJ pontuou: “O levantamento do ITERJ indica que o tempo de moradia e posse das famílias em 90% dos casos é de 20 a 50 anos. Cerca de 83,6% são funcionários do Jardim Botânico, ativos ou inativos ou parentes destes. É uma comunidade que foi se estabelecendo com autorizações institucionais. O ITERJ sempre teve como atribuição defender famílias que recebem de 3 a 6 salários mínimos e defende a permanência destas famílias”.

      Defendo, exatamente, a permanência dessas famílias que estão no Horto há décadas. É perfeitamente factível manter os moradores sem agredir ou contribuir para a deterioração do Jardim Botânico e, ainda, sem comprometer a expansão do arboreto. Também concordo que não se dê guarida àqueles que não fazem parte da comunidade tradicional, de acordo com levantamento da UFRJ/ITERJ.

      Se há todas as condições para uma solução de permanência das famílias que constituem a comunidade tradicional e que contemple a todos, me pergunto a quem interessaria a retirada destas famílias? Quem são os verdadeiros incomodados e quais os motivos reais?

      Abraços,
      Eliomar

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