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Opine: operação no Complexo do Alemão

Nos últimos dias, os moradores do Rio assistiram à megaoperação de invasão do Complexo do Alemão que contou com a participação de 2.700 policiais civis e militares. A imprensa noticiou que apenas três traficantes foram mortos e 20 detidos.  Sabemos que a comunidade abasteceu às tropas com informações via Disque Denúncia. A impressão é que a população, de modo geral, e os moradores  da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão deram apoio à polícia.

Em artigo sobre o assunto, a antropóloga Alba Zaluar destaca que o momento é de “calma e atenção”.  Faz alguns questionamentos pertinentes. Como será interrompido o fluxo de armas e munições que chegam às mãos dos traficantes e aumentam nossa vulnerabilidade? E quando as tropas forem embora? Como garantir que as comunidades terão acesso à melhores serviços? Como terão acesso à  ensino fundamental, médio e profissionalizante de qualidade e, consequentemente, mobilidade social que reduza o apelo das quadrilhas do tráfico junto às crianças e jovens que vivem nas favelas?

Opine. O prefeito pretende assinar um decreto municipal transformando o dia 28 de novembro de 2010 no dia da “refundação da cidade”. Qual o saldo da operação no Complexo do Alemão a curto e a médio prazo? O que significou a invasão, batizada pela mídia de “Batalha do Alemão”, para o cotidiano da cidade? Você concorda com a megaoperação da polícia? Muda algo no cenário de violência e dominação do tráfico na maioria das favelas?

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Uma resposta a Opine: operação no Complexo do Alemão

  1. A meu ver, a proposta do prefeito é oportunista.
    Quanto ao saldo a curto e a médio prazo, difícil de avaliar. Mas, a impressão que fica é que, de repente, as 3 esferas de governo descobriram que há territórios dominados por um poder paralelo em nosso estado. As armas e drogas entraram pelas fronteiras com diversos países, mas só conseguiram perceber essa semana. No início, os arrastões foram considerados “casos isolados”, não sendo considerados parte da estratégias das facções criminosas para impor o terror à população. Depois que os atentados se intensificaram, passaram a dizer que era uma reação dos marginais às UPPs. Arrastões foram realizados nas ruas próximas à casa do governador do RJ, mas ninguém tomou providências.
    Quanto à operação policial realizada, não chamaria de invasão, considerando que, aparentemente, foi bem planejada e coordenada pelas forças legais do Estado brasileiro. Só acho complicada a forma como essas forças legais abordam os moradores em suas casas. Aí sim, considero invasão, pois não há um mandado judicial para a revista das casas tampouco para que os policiais revirem as moradias como vêm fazendo.
    O que pode acontecer é a gradativa transferência de poder das mãos de alguns grupos criminosos para outros mais organizados e bem relacionados. A verdade é que se os tiroteios cessarem já será um grande ganho, considerando a atual conjuntura.
    Sem uma efetiva ocupação do Estado, com a implantação de serviços públicos: saúde, educação, saneamento básico, habitação, etc. nesses espaços, acho muito difícil que alguma se transforme de verdade.
    A consolidação e a manutenção desse momento agora só dependem das 3 esferas de governo.
    um abraço.

    • eliomar coelho disse:

      Cara Patrícia,

      Obrigado pelo seu comentário no Opine. Como bem disse Alba Zaluar, o momento é de “calma e atenção”.

      Abs,
      Eliomar

    • Alexandre disse:

      Ao analisar a operação policial e militar lançada contra
      traficantes no Rio de Janeiro, o senador Mão Santa
      (PSC-PI) disse ontem que “nunca antes se mentiu
      tanto nesse país, apesar de a sabedoria popular
      dizer que a mentira tem pernas curtas”. Ele ob-
      servou que a violência chegou a um nível inédito
      no Brasil e essa é a “herança maldita” que o pre-
      sidente Lula deixará para Dilma Rousseff.
      Mão Santa disse que seria ridículo se a união de
      todas as forças militares e policiais não conse-
      guisse tomar um morro.
      - Estamos aí comemorando porque tomaram um
      morro. Me envergonho quando enganamos o po-
      vo que representamos – afirmou,

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