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Os ralos e a falta de transparência

Não é preciso estar acompanhando de perto a administração municipal para se constatar que há muitas mazelas em setores fundamentais como Saúde e Educação. O que se destina a este ou aquele setor sugere muito mais quais são as prioridades do Executivo do que propriamente o que se tem para gastar. Por isso, zelar pelo dinheiro público – e pela forma como este é aplicado pela prefeitura – é um dos papéis mais relevantes do Legislativo.

O que dizer então de uma sangria de R$ 55 milhões desviados dos cofres municipais para a empresa fantasma Qualidade Total, cuja sede, em Paracambi, é um imóvel residencial vizinho a uma serralheria e vidraçaria? Há cinco anos, a tal empresa foi contratada pela prefeitura para prestar serviço de vigilância em unidades hospitalares do município. Um dos sócios é um vendedor de cachorro quente, o outro mora numa comunidade de baixa renda, em Cataguases. Ambos estão desaparecidos. Quatro outros proprietários deixaram o negócio entre 2007 e 2008. Na cidade mineira ninguém ouviu falar da terceirizada.

Pela indignação, pelo compromisso com a transparência e pelo zelo ao que se faz com a arrecadação pública, nosso mandato entrará com uma ação civil pedindo a investigação nos contratos da prefeitura no Rio. Já solicitamos uma inspeção extraordinária do Tribunal de Contas do Município. O mínimo que se pode exigir é que este dinheiro seja devolvido aos cofres públicos. O mínimo que se podia esperar era que o atual prefeito se manifestasse sobre o assunto mas ele preferiu se omitir.

Na lógica da atual administração municipal, em que a cidade é tratada como empresa, há um claro estímulo às gerências privadas. As Organizações Sociais contratadas pelo Executivo são apenas um exemplo. Se, durante tanto tempo tanto dinheiro destinado a serviços contratados foi parar em mãos desconhecidas, há que se certificar quem são estas empresas terceirizadas; se são empresas, de fato, e se cumprem devidamente sua função. E, em última análise, há que se questionar a eficiência e necessidade imperiosa deste novo regime público.

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Uma resposta a Os ralos e a falta de transparência

  1. Fácil entrar com a ação civil pública, não, vereador? De fato, melhor do que não fazer nada. Agora… por que não houve fiscalização efetiva há 5 anos quando a bandalheira teve início? Sabe o que é isso? Colocar cadeado no portão depois do arrombamento.

  2. não entendi bem o comentário do Edu, companheiro Eliomar, se é a favor, contra ou muito pelo contrário. me pareceu uma cobrança, descabida diga-se de passagem, ao seu mandato. por certo ele deve saber a pletora de assuntos que demandam atençao e providências do vereador Eliomar, que faz o que pode já que, na Câmara de Vereadores, é uma andorinha só tentando fazer verão. agora, em uma coisa ele acertou, em parte; qualquer medida tomada agora é, como disse, “Colocar cadeado no portão depois do arrombamento”. mas, diz a sabedoria popular, “antes tarde do que nunca”. vá em frente. abração solidário.

  3. Roberta disse:

    Eu, eleitora, senti sua falta na reunião do RH da saúde. Um pronunciamento de vossa excel~encia sobre o assunto seria oportuno.

    • eliomar coelho disse:

      Cara Roberta,

      Infelizmente, não posso comparecer à todas as agendas. E, no momento, passo por problemas pessoais que têm me mobilizado e têm me impedido de acompanhar todas as reuniões para as quais sou convocado.

      Abs,
      Eliomar

  4. Marcos disse:

    Uma pergunta àqueles que reclamam dos que “comocam cadeado no portão depois do arrombamento”: quais os seus compromissos políticos com os arrombadores?

    Uma sugestão a essas mesmas pessoas: caso conheçam métodos (legais e legítimos) de descoberta e denúncia de bandalheiras de um dia para o outro, por favor comuniquem urgente ao vereador Eliomar, ao Ministério Público, à polícia e a todos aqueles que se esforçam por desmontá-las.

    O país agradece por ambos!

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