Rio - 4 de setembro de 2013

Por que Eliomar deixou a CPI

Eliomar Coelho
“Desde os primeiros passos para concretizar a instalação de uma CPI legítima, ficou evidente o embarreiramento no sentido de travar a minha participação efetiva. Os quatro membros indicados que fazem parte da base do governo – e não subscreveram o requerimento da comissão – se apropriaram da CPI, inviabilizaram sua legitimidade e minha contribuição.

Relato, abaixo, os fatos que reforçam os motivos porque me vi obrigado a deixar a CPI, não sem antes denunciar, publicamente, as tentativas de golpe contra a investigação das empresas de ônibus e apelar para recursos regimentais e jurídicos a fim de garantir que vereadores da bancada da oposição – minoria no Legislativo – tivessem assento na comissão. Devo deixar claro, porém, que minha saída não cessará o trabalho de investigação. Para tanto, lançarei mão das prerrogativas que tenho como parlamentar.” Leia artigo íntegra. E a matéria “Ünico vereador de oposição deixa a CPI dos Ônibus”, publicada na Folha de São Paulo.

Protestos registrados
Antes mesmo de ser instalada, a CPI mobilizou ativistas e movimentos. A plenária realizada no dia 05/08 lotou o Clube de Engenharia. E desde o dia 09/08 – data em que foi realizada a eleição atropelada de presidente e relator – foram constantes os protestos. E também o aparato policial que foi deslocado para o Legislativo. O Ocupa Câmara Rio não está mais dentro do Palácio Pedro Ernesto mas a ocupação resiste na Cinelândia. A Foto de Cícero Rodrigues mostra o protesto ao final da sessão de instalação da CPI. Parte destes ativistas decidiu permanecer e ocupou o plenário por mais de uma semana. Veja outros registros.

CPI do Fundeb, já!
O vereador Renato Cinco, da bancada do PSOL na Câmara Rio, está tentando conseguir as 17 assinaturas necessárias para instalar a CPI do Fundeb. A utilização de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica para a compra do jogo Banco Imobiliário Cidade Olímpica e repasses à Rio Ônibus para o controle da frequência dos alunos são algumas das razões para investigar a caixa-preta da Educação. Parecer técnico do TCM reprova o convênio entre Rio Ônibus e prefeitura que estabelece transferência de verba do Fundeb para compensar gastos das empresas de ônibus com a gratuidade dos alunos da rede municipal. O parecer ainda será apreciado pelos conselheiros. O Ministério Público Federal abriu investigação para apurar se houve crime de responsabilidade e de abuso de poder econômico nesta operação. No mesmo procedimento investigatório criminal, a Procuradoria Regional da República da 2ª Região (PRR2), apura a aplicação desses recursos e a licitação para a concessão de linhas de ônibus, itens que Eliomar pretendia apurar na CPI.

Professores unidos
Diante de tanta irregularidade e “pouco caso” com a escola pública, os profissionais de educação seguem em greve. E não é só por aumento de salários, mas principalmente por valorização profissional, fim da meritocracia e privatização da educação, e respeito à autonomia pedagógica. O prefeito anuncia gastos na ordem de R$ 9 milhões para a avaliação externa dos alunos. Isso é um acinte aos profissionais de educação da maior rede de ensino da América Latina: contratar empresas privadas para avaliação dos alunos. Nossos professores, negligenciados em todos os aspectos da vida profissional, são os únicos que podem e devem arcar com essas avaliações. Leia mais

Insuficiente avanço
Chico Alencar
“Em 1930, João Guimarães Rosa, orador da turma de formandos da Faculdade de Medicina da UFMG, citava Michel de Montaigne para lembrar que “ciência sem consciência é a ruína da alma”. Nosso então futuro grande escritor complementava dizendo que a frase, “de verdadeira se faria sublime, se lhe intercalasse: ‘… e sem amor…’”. O doutor Rosa partiu com amor, então, para a pequena Itaguara, onde trabalhou durante dois anos como o único médico da cidade, no “grande sertão” das Minas Gerais.” Leia artigo na íntegra.

Irrupção, fim de ciclo e interregno
Léo Lince
“Em meados do ano 13 do século 21, a sociedade brasileira foi abalada por um surto inusitado de acontecimentos cujo sentido político mais profundo ainda carece de decifração. Com a repentina rapidez dos relâmpagos, o espaço livre das ruas foi ocupado por gigantescas manifestações de massas. Algumas delas, nas metrópoles maiores, de um volume sem precedentes em nossa história recente tão marcada por grandes manifestações. A enorme onda de inesperadas mobilizações alterou a vida das cidades nos quatro cantos do país. Nas capitais de todas as regiões, nas cidades médias e até nos grotões, território que jamais se defrontara com tal fenômeno, o protesto de rua teve o sabor da novidade inaugural. Um espanto generalizado.” Leia artigo na íntegra.

RIO ANTIGO
Mudou muito a cara do coletivo mas não a falta de segurança. O registro de 1933, do jornal Correio da Manhã, mostra um acidente envolvendo ônibus na esquina da Rua Riachuelo com Rua Francisco Muratori, na Lapa. O coletivo lembra, no tamanho, os micrôonibus que circulam em Santa Teresa e tanto assustam seus usuários, trafegando sempre em alta velocidade. Viaje no tempo