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Por uma Uerj sem muros

Nos últimos anos, estamos assistindo, no Rio de Janeiro, a instalação de um “Estado de  Exceção”, com a naturalização do uso da violência e a violação cotidiana de direitos básicos da população, como o direito à educação, saúde e moradia.

Na última semana, um episódio lamentável, patrocinado pela reitoria da Uerj corrobora essa assertiva e não podemos aceitar, de forma alguma, o uso da força para encobrir o processo de negligenciamento político e administrativo que atinge a Uerj há alguns anos.

Crônica de um conflito anunciado, os acontecimentos na Uerj na semana passada trazem à luz do dia questões importantes, como o sucateamento que vem ocorrendo no ensino público de nosso estado. A política de estado não prioriza a Educação. Pezão prometeu que não haveria cortes na Educação. Não cumpriu. Os cortes afetam a qualidade do ensino e o funcionamento da universidade. Os alunos lutam democraticamente por um ensino de qualidade e condições dignas de infraestrutura. É demais exigir um banheiro limpo? E o que faz o reitor? Reponde com violência a um ato democrático por uma educação pública de qualidade. Na prática, a greve dos alunos já está deflagrada. Não se conformam com o sucateamento da universidade, reflexo dos baixos investimentos, atraso de pagamentos, desrespeito à comunidade acadêmica, entre outras irregularidades. No caso da crise mais recente, os alunos estavam em assembleia e foram solidários aos moradores da favela do Metrô, que fica perto, e tiveram suas casas demolidas.

As lamentáveis declarações do reitor da Uerj, Ricardo Vieiralves, não conseguem encobrir a grave crise que se alastra há anos na universidade, que já foi referência de ensino de qualidade no país. Estudos do orçamento para este ano comprovam o que temos denunciado: a questão do sucateamento da educação pública, em todos os níveis, como uma política de Estado e de continuidade no atual governo.

Integrante da Secretaria de Ciência e Tecnologia, a Uerj recebeu 0,23% do investimento global realizado pelo governo do estado até maio de 2015. Esse percentual vem caindo ano a ano – de 3,64% em 2012 para 2,66% de 2013 e 2,24% em 2014, comparando o mesmo período.

O lema “UERJ SEM MUROS” está sendo utilizado pela comunidade acadêmica da UERJ com muita propriedade para esse momento.

E nosso mandato se incorpora a essa luta. É preciso que governo e reitoria se abram ao diálogo. Uma universidade pública e popular, espaço democrático de elaboração do pensamento crítico e do saber, deve eleger como prioridade a “palavra” como meios para o diálogo, e não “muros”, “bombas” e “blindagens”.

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