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Porto Maravilha

icone-urbanismoNo recesso legislativo, o prefeito Eduardo Paes esteve na Câmara Municipal para apresentar, aos vereadores, sua proposta de “revisão” do Plano Diretor para a cidade do Rio de Janeiro.

Na retomada dos trabalhos legislativos, no início de agosto, novamente o Prefeito convida os vereadores para um almoço no Palácio da Cidade, para fazer uma apresentação de várias mensagens de sua iniciativa que pretende enviar à Câmara Municipal, e pedir para elas o voto favorável e respectiva aprovação.

Até aí tudo bem e nada de mais, pois como manda a lógica do Estado Republicano, era um gesto civilizado do Executivo e uma demonstração de querer construir uma boa relação com o Legislativo, respeitando a independência que deve existir entre os respectivos Poderes.

Na lista das mensagens apresentadas, dentre elas constava a “revisão” do Plano Diretor, sobre o qual já fizemos nosso comentário nesse blog, e o Porto Maravilha, que trata da revitalização da Zona Portuária, sobre o qual quero fazer algumas considerações.

Inicio afirmando a necessidade e a importância de se revitalizar essa área, comprometendo-me não só com o apoio, mas com uma contribuição efetiva, já que desde 1988 tenho participado, como vereador, de discussões com esse propósito tanto no âmbito do Executivo como com os moradores residentes do local, e por isso, acumulado conhecimento que muito poderá servir a mais essa tentativa de se fazer a reabilitação urbana desse privilegiado espaço da cidade.

Várias cidades tem tido, na sua dinâmica urbana, movimentos de apogeu devido ao crescimento da sua população e expansão física da malha urbanizada , de decadência por não estar mais satisfazendo ao papel funcional que lhe é exigido pela cidade e de reabilitação na busca de nova vitalidade econômica, social e ambiental para a área degradada, com referenciais mais humanos, com valorização de seus marcos históricos e simbólicos e com agregação de outras atividades.

Há muito tempo, a Zona Portuária, o Centro da cidade e o bairro de São Cristóvão são áreas que vem perdendo características vitais de existência e vivem um processo de degradação, necessitando do movimento de reabilitação, e nesse sentido vários projetos tem sido apresentados, motivado discussões, alguns iniciados e nenhum deles executado.

O último desses projetos teve os trabalhos iniciados através de um convênio feito entre a prefeitura do Rio de Janeiro, a prefeitura de Paris, a Caixa Econômica e o Ministério das Cidades para se trabalhar a reabilitação dessas três áreas urbanas. São Cristóvão, que não constava inicialmente do projeto, teve sua inclusão garantida por uma intervenção do mandato, quando exercia a presidência da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara, oportunidade em que inserimos o bairro no perímetro a ser reabilitado.

Esse convênio tinha duração de 2 anos, e ao término desse período foi produzido a brochura “ Experiências Urbanas Paris-Rio de Janeiro : Um projeto verde para São Cristovão” que apresenta a “Estratégia territorial para a renovação urbana do Centro do Rio de Janeiro”; depois houve uma prorrogação por mais 2 anos para continuidade do projeto, cujo resultado deve estar de posse do Executivo. Sabemos de trabalho semelhante realizado anteriormente para o Morro da Conceição, convênio da prefeitura do Rio e a prefeitura de Paris, resultando também em outra brochura. E claro, temos também o acúmulo de trabalhos produzidos pelos técnicos da prefeitura desde 1988.

Como podemos ver, existe farto material para se trabalhar a reabilitação reclamada, necessitando sem dúvida de uma atualização das informações, dos dados levantados, dos mapas produzidos e da abertura de novos encontros com os moradores para sentir as suas demandas reais e atuais. Dessa forma se construirão as bases e condições para se fazer e entregar a cidade do Rio de Janeiro essas áreas reabilitadas e como espaços totalmente humanizados para a vivência fraterna dos cariocas.

Um aspecto que nos parece curioso, e que chama a atenção, é o porquê da necessidade do projeto Porto Maravilha como intervenção urbana de grande porte nessas áreas da cidade uma vez que existe a mensagem de “revisão”do Plano Diretor, instrumento de promoção do desenvolvimento da cidade de forma ordenada e criteriosa, e que indicará que intervenções urbanas deverão acontecer, para que, como e quando. O correto não é tratar do assunto Porto Maravilha durante a tramitação do projeto de “revisão” do Plano Diretor ?

Vamos, então, aguardar as mensagens do Executivo e analisá-las com o cuidado exigido para matéria dessa natureza.

Nosso mandato estará atento aos desdobramentos da proposta do Prefeito que será enviada à Câmara de Vereadores como mensagem para discussão e votação, e, após uma análise da matéria, colocaremos no nosso blog, para conhecimento de todos, os nossos comentários, acompanhados da solicitação de sugestões e propostas como contribuição cidadã dos moradores.

Vamos adotar o procedimento de discutir a vida da/na cidade com seus moradores através do nosso blog, e tirar dessa discussão as referências para nossas ações como Mandato.

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18 respostas a Porto Maravilha

  1. helena galiza disse:

    Caro Eliomar,
    Esse projeto merece ser analisado mais profundamente. As notícias dos jornais são assustadoras! O Vainer/ Ippur vem tentando organizar um seminário insurgente sobre o projeto.
    Coloco-me à disposição para, dentro das minhas possibilidades, tentar apoiar a sua análise.
    Abs.
    Helena

    • eliomar coelho disse:

      Cara Helena,

      Estamos, no momento, debruçados sobre uma análise pormenorizada do projeto Porto Maravilha. A partir daí, poderemos argumentar com acuidade sobre pontos obscuros da proposta. Toda colaboração é fundamental e, se quiser somar esforços, pode nos procurar no telefone 3814-2008 e falar com nossa assessora para assuntos de Urbanismo, Denise Penna Firme.

      Obrigado pela participação.

      Abs,
      Eliomar

    • Prezado Vereador Eliomar Coelho.

      Os bairros do Centro, Saude, Gamboa e Santo Cristo, vivenciam um nefasto processo de degradacao, omissao publica e destruicao socio-economica e politica.
      Somos hoje 32 mil moradores residentes, nestes quatro bairros; e necessitamos nao de esmolas publicas, ou MEGA-PROJETOS BILHONARIOS, mais sim de insercoes e um serio reordenamento urbanistico, com aportes dos governos Federal, Estadual, Municipal e da Iniciativa Privada.
      SAO NOSSAS NECESSIDADES URGENTES:
      Uma Escola Politecnica Profissionalizante: Bairro da Gamboa.
      Uma Escola de Ensino Medio: Bairro da Saude.
      Uma UPA 24 HORAS: Bairro da Saude/Gamboa/Sto.Cristo.
      Um Galpao das Artes e Culturas para Eventos na Regiao.
      Criacao do Calendario Anual de Eventos Artisticos.
      Restauro e Obras nos Acervos Historicos da Regiao.
      Obras e ampliacao na rede de aguas e esgotos da regiao.
      Parcerias entre os governos e as Entidades da Regiao.
      Criacao do Balcao de empregos

      • eliomar coelho disse:

        Caro Gabriel,

        O nosso grande desafio é conseguir que a revitalização do Cais do Porto leve em conta as demandas da população residente na área. Neste sentido, a assessoria do mandato está elaborando emendas relativas aos projetos que tramitam no Legislativo e dizem respeito ao Porto Maravilha. Mas a mobilização e participação da população neste processo é muito importante para impedir o rolo compressor na hora da votação.

        Abs,
        Eliomar

      • Joyce Soares disse:

        Caro Gabriel,

        Gostaria de saber quem eu poderia contactar para falar com uma organização de moradores dos bairros portuários. Por favor me escreva no e-mail joyceprocult@gmail.com.

        Desde já agradeço,
        Joyce Soares

        • eliomar coelho disse:

          Cara Joyce,

          Existem vários movimentos ligados ao processo de revitalização da Zona Portuária. Poderia me dizer quais movimentos, especificamente, gostaria de contactar?

          Abs,
          Eliomar

  2. Roberto disse:

    É necessário que a revitalização da zona portuária e bairros adjacentes seja feita com extremo cuidado, para não acabar excluindo a população de baixa renda, como tantas vezes ocorreram em participações do Estado em mega projetos urbanísticos em nossa cidade.
    É preciso atentar para o potencial econômico e de turismo do porto, mas não esquecer da revitalização dos bairros, da prestação de serviços. Uma revitalização da área pode causar também uma especulação imobiliária que acaba expulsando os mais pobres da localidade.
    Cuidados importantes também devem ser tomados com prédios e monumentos históricos, além de ocupações de sem teto que resistem naquela região, reivindicando o direito à habitação e, consequentemente, à cidade.

    • eliomar coelho disse:

      Caro Roberto,

      Por todas estas questões tão bem levantadas (e outras) é que estamos analisando, em pormenores, o projeto Porto Maravilha. Assim que estiver pronto, este trabalho será publicado no blog para conhecimento geral da população carioca.

      Obrigado pela participação.
      Abs,
      Eliomar

  3. MARCOS VIDAL disse:

    Lamento muito que o prefeito quando fala da revitalização da zona portuária fique preso a uma política que só volta suas ações para o grade centro finaneiro desta cidade.
    Seria muito legal se não só el como também todos o parlamentares eleitos pelo voto democrática podesem andar um pouco pela cidade do rio de Janeiro, para ver como falto ações concretas de devlvimento para estes centros.
    Colocarei alguns:
    - O comércio fechado da estação de Marechal Hermes até cascadura, segindo a linha do trem;
    - O abadono das industrias e comércio da Avenida Brasil;
    - A falta de saneamento básico dos sub bairros da Zona Norte e Zona Oeste;
    - A falta de construção de escolas nas duas maoires áreas de concentração populacional da cidade do Rio de Janeiro. Digo da América Latina nas décadas de 80/90 2000. O Conjunto habitacional de Padre Miguel e Bangu e Santa Cruz.
    - O abandono da construção do Hospital de internação de Padre Miguel que se deu início na década de 70 e até hoje não foi concluído. ( Fica próximo ao antogo INPS de Bangu, hoje um posto de Saúde da prafeitura. esta unidade já foi uma das melhores emergêngias do Estado. Mais a mesma foi passada para a prefeitura e tornuo-se um posto de Saúde;
    - A colocação de asfalto em várias ruas da Zona Oste, o que ocasiouno o almento da temperatura na maioria dos Bairros de Padre Miguel e Bangu, além da falta de escaamento das águas da chuva o que também ocasiona um volume muito grande de água das chuvas;
    - o Toatal abandono das parias de Sepetiba, Praia de guaratiba e Pedra de Guaratiba;
    - O parque Industrial de Campo Grande está completamento abandonado com várias fábrica fechadas;
    - O crescimento desordenado das habitações na Zona Oeste, acasionando com isso um aumento considerado de cuminidades os morros do entorno de Bangu, da Vila Aliança, da Avenida Brasil e Campo Grande.
    Estarei sempre atento e receptivo as ações deste mandato, pois acredito na sua tranparência e na luta que tem suas ações voltadas para benafpicio desta grande cidade.
    Um grande Abraço!
    Marcão

    • eliomar coelho disse:

      Caro Marcos Vidal,

      Sua análise é muito congruente. Tão oportuna que resolvi publicá-la no corpo do blog para dar mais visibilidade a seu comentário.

      Muito obrigado pela participação.

      Abs,
      Eliomar

  4. Alessandra disse:

    Caro Eliomar,

    Sou estudante de Geografia da UFRJ, e estou fazendo uma pesquisa sobre o projeto Porto Maravilha.
    Ter acesso aos comentarios acima já é de grande valia, entretanto gostaria de obter informaçoes “oficiais” do andamento deste projeto, e/ou melhor ainda, conversar pessolmente com alguem envolvido neste assunto.
    É possivel?

    Obrigada,
    Alessandra.

    • eliomar coelho disse:

      Cara Alessandra,

      Pode entrar em contato com o gabinete (3814-2008) e marcar um bate-papo sobre o Porto Maravilha. Os assessores que estão envolvidos no estudo do projeto são Denise Penna Firme e Jorge Borges.

      Obrigado pela participação no blog.

      Abs,
      Eliomar

  5. cariocadorio disse:

    Prezado Sr. Eliomar,
    Sob a ótica de trabalhador de mais de 30 anos na região da Praça Mauá, tenho grande interesse nos planos que afetam aquela área. Antes de discutir o plano, minha preocupação é com o que se deixou de fazer a espera de um mega projeto. Para não abordar o tema de forma ampla mencionarei apenas o estado em que se encontra o entorno do edifício “A Noite”, onde tapumes de madeira em avançado estado de deterioração há anos ameaçam a segurança da população.
    De nada adiantará implementar um projeto de revitalização deste tipo se após cinco anos sem manutenção chegarmos à situação que temos hoje.
    Saudações,

    • eliomar coelho disse:

      Cara carioca do Rio,

      Seu comentário procede. Muitos aprimoramentos feitos na cidade não se perpetuam pelo abandono e negligência das autoridades competentes. Caso queira se inteirar sobre detalhes do projeto, pode procurar os assessores que estão cuidando deste assunto, Jorge Borges ou Denise Penna Firme. Se preferir, pode falar comigo (3814-2008).

      Abs,
      Eliomar

  6. Joyce Soares disse:

    Prezado Sr Eliomar,

    A revisão do Plano Diretor à qual o senhor se refere é o Plano de Revitalização e Reestruturação da Zona Portuária ou o Porto Maravilha?

    Gostaria de entender melhor a relação entre ambos.

    Minha segunda pergunta é sobre o ano do convênio feito entre a prefeitura do Rio de Janeiro, a prefeitura de Paris, a Caixa Econômica e o Ministério das Cidades mencionado no seu texto para as áreas da Zona Portuária, o Centro da cidade e o bairro de São Cristóvão. O único resultado desse convênio foi o estudo mencionado? Qual órgçao da prefeitura de Paris estava envolvido?

    Atenciosamente,
    Joyce Soares

    • eliomar coelho disse:

      Cara Joyce,

      A revisão do Plano Diretor a que me refiro é a atualização de um plano elaborado em 92 e que deveria ter sido revisto em 2002 (dez anos depois). Somente agora esse processo ocorre. Acompanhe o blog pois em breve publicarei um texto sobre o assunto.

      Abs,
      Eliomar

  7. Caro Eliomar,

    os planos da prefeitura para revitalizar a zona portuária ainda não tiveram a análise devida. Nosso grupo estuda a questão do Centro do Rio de Janeiro e gostaria de ampliar o debate sobre o tema. Segue abaixo link com materia do jornal de domingo passado, caso haja interesse entre em contato, seria um prazer trocar conhecimento sobre nossas experiências.

    http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/06/05/arquitetos-transformam-predios-terrenos-publicos-abandonados-em-moradias-no-centro-916794582.asp

    Att,

    Gilberto Rocha

    • eliomar coelho disse:

      Caro Gilberto,

      Nosso mandato conta com um grupo de assessores debruçados sobre esta questão e outras questões urbanas. E é muito importante estar em contato com a parcela da sociedade que enxerga com críticas projetos como o Porto Maravilha. Vamos nos falar…

      Abs,
      Eliomar

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