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Procrastinando um velho problema

O artigo escrito pelo autor Lima Barreto é de janeiro de 1915. Longe de ser uma ironia, reforça a tese de que continuamos postergando trabalhar por soluções efetivas.

“As chuvaradas de verão, quase todos os anos, causam no nosso Rio de Janeiro, inundações desastrosas.

Além da suspensão total do tráfego, com uma prejudicial interrupção das comunicações entre os vários pontos da cidade, essas inundações causam desastres pessoais lamentáveis, muitas perdas de haveres e destruição de imóveis.

De há muito que a nossa engenharia municipal se devia ter compenetrado do dever de evitar tais acidentes urbanos. Uma arte tão ousada e quase tão perfeita, como é a engenharia, não deve julgar irresolvível tão simples problema.

O Rio de Janeiro, da avenida, dos squares, dos freios elétricos, não pode estar à mercê de chuvaradas, mais ou menos violentas, para viver a sua vida integral.

Não sei nada de engenharia, mas, pelo que me dizem os entendidos, o problema não é tão difícil de resolver como parece fazerem constar os engenheiros municipais, procrastinando a solução da questão.

O Prefeito Passos, que tanto se interessou pelo embelezamento da cidade, descuidou completamente de solucionar esse defeito do nosso Rio.

Cidade cercada de montanhas e entre montanhas, que recebe violentamente grandes precipitações atmosféricas, o seu principal defeito a vencer era esse acidente das inundações.

Infelizmente, porém, nos preocupamos muito com os aspectos externos, com as fachadas, e não com o que há de essencial nos problemas da nossa vida urbana, econômica, financeira e social.”

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Uma resposta a Procrastinando um velho problema

  1. que coisa! caro Eliomar, desde 1915 que o afamado escritor Lima Barreto batia na mesma tecla, que a gente bate hoje: a irresponsabilidade dos alcaides, leia-se dos governantes municipais, em solucionar os problemas fundamentais das cidades. [1] manter a urbs limpa, segura e transitável para os habitantes; [2] prover áreas de segurança e de fácil acesso para as classes menos favorecidas edificar as moradias; [3] impedir que a especulação imobiliária desfigure as características naturais e culturais da cidade, pontos de atração turística; e [4] outras medidas de interesse geral da população, como provimento de água corrente, manutenção em bom funcionamento dos canais de esgotamento sanitário, pluvial, e outros naturais, e por aí vai. é dificil de acreditar mas é vero. no caso da Cidade Maravilhosa, vai fazer um século que um prefeito de respeito como Pereira Passos foi advertido por ilustre cidadão carioca sobre suas neglicenciadas responsabilidades!

    • eliomar coelho disse:

      Quase um século de artigo e parece que não houve muita mudança. E a solução é simplesmente agir, planejar com seriedade e agir.

      Abs,
      Eliomar

  2. Andrea Figueira disse:

    Olá Eliomar, gostaria de acrescentar ao teu texto o vídeo produzindo pelo manuel rosa, NO CAOS NÃO SE IMPROVISA, que fala da enchente de 1960.
    Está no youtube, com este título, dê uma olhada, é muito bom.
    Abraços

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