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Qual a verdade sobre as Vilas de Mídia e de Árbitros no Porto?

No site Rio 2016, a promessa continua publicada: o funcionamento das Vilas de Mídia e de Árbitros nas Olimpíadas em um Porto revitalizado aos moldes do que aconteceu, de fato, em Barcelona. Na cidade espanhola, a Zona Portuária ganhou novas avenidas e prédios que abrigaram a população depois dos jogos de 1992. Mas o prefeito chegou a dizer, esta semana, que precisaria tirar as instalações olimpícas do Porto para evitar gastos de R$ 90 milhões na recuperação de imóveis ocupados durante o evento.

A decisão, no entanto, foi negada pela própria Rio 2016 em curto espaço de três dias depois da divulgação na imprensa, da má repercussão junto à opinião pública e de uma entrevista explicativa do prefeito confirmando a transferência das vila de mídia e de árbitro para Curicica.

Será que a intenção revelada não esconde o fato evidente de que não há como concluir a obra realizada de forma impecável pelo data show que ilustra o site? O vídeo inclui até pedestres caminhando numa área que é hoje desértica.

Segundo o site Porto Maravilha, o “Porto Olímpico faz parte do projeto de revitalização da região portuária e ocupará uma área de 850 mil m², com construção de diversas instalações para as Olimpíadas de 2016, como as Vilas de Árbitros e de Mídia e um Centro de Convenções.” A matéria publicada em junho de 2011 ganhou, nos últimos dias, ares de factoide.

Ou seja, o projeto foi largamente divulgado e só agora o prefeito e sua equipe olímpica perceberam que haveria necessidade de um gasto extra de R$ 90 milhões. “Teríamos que mobiliar os apartamentos e, depois do uso, recuperá-los para serem entregues aos donos”, diz o prefeito na entrevista ao O Globo em que tenta justificar a mudança repentina. E segundo Paes, talvez esta conta tenha que ser paga pela prefeitura.

Como um projeto do porte e da audácia do Porto Maravilha – com custo de bilhões –, não comporta este tipo de previsão? Parece que para o prefeito vale o dito pelo não dito. O presidente nacional do IAB, Sérgio Magalhães, expressou estranheza com a explicação de Paes. Para Magalhães, “o planejamento da cidade não pode ser do tipo ioiô.”

Sérgio Magalhães discorda da transferência do centro de mídia e acredita que é fundamental para o sucesso da revitalização que a Zona Portuária seja ocupada por todas as faixas de renda. O prefeito anunciou a instalação do equipamento olímpico em Curicica, onde há investimentos do programa federal “Minha Casa, Minha Vida”.

Embora a Rio 2016 tenha negado, numa prefeitura em que ninguém se entende e se comunica, como saber o que é fato e o que é factoide? E se a intenção revelada virar realidade, cabe já uma pergunta: por que não adotar o projeto “Minha Casa, Minha Vida” no Porto garantindo habitações populares, inclusive para os moradores de baixa renda que já vivem na região?

O prefeito apressou-se em avisar que o projeto do Porto “está consolidado” e que as mudanças não põem em risco a empreitada. Afinal, segundo Paes definir o Porto como sede de equipamentos das Olimpíadas serviu para detonar o projeto. “Quando eu provoquei, no final de 2009, para trazermos várias coisas das Olimpíadas para o Porto, o que eu queria era fazer com que o projeto de revitalização que ainda estava no forno, pudesse ser viabilizado”.

Pelas últimas declarações do prefeito, dá para desconfiar…Esta história está muito mal contada. Enquanto isso, os moradores, usuários de ônibus, taxistas e motoristas penam com a nova engenharia de tráfego engedrada para compensar a demolição da Perimetral. Por quanto tempo? O que o futuro nos reserva?

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