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Resistência na Aldeia Maracanã contra o autoritarismo e a especulação da Copa

“Desde 2006, várias etnias indígenas (re)ocuparam o prédio e parte do terreno do antigo Museu do Índio, que há décadas estava abandonado pelo poder público. Prontamente, criaram o Centro Cultural Indígena passaram a realizar diversas atividades no local, de divulgação, estudo, pesquisa e preservação das línguas e culturas indígenas, recebendo estudiosos e muitas escolas, plantando ervas e árvores, recuperando salões do prédio mesmo sem os recursos que o poder público deveria dedicar a espaço tão importante, erguendo algumas casas para moradia dos integrantes das etnias que residem permanentemente no local.

Com as obras de reforma do Maracanã com vistas à Copa do Mundo de 2014, entretanto, nuvens carregadas se formaram e persistem ameaçadoras sobre a Aldeia. O espaço ocupado pelas etnias é hoje uma ilha de verde e tradição cercada de canteiros de obras por todos os lados, na verdade verdadeiros campos militarizados que funcionam 24 horas por dia, rodeados por muros e arame farpado.

No mês passado (outubro de 2012), o alerta soou quando o governador Sérgio Cabral confirmou a compra da área, até então pertencente ao governo federal, e reafirmou a intenção de despejar os indígenas e demolir o antigo Museu e atual Centro Cultural Indígena. Preventivamente, a assessoria jurídica da Aldeia e a Defensoria Pública da União entraram na Justiça Federal com vários pedidos de liminares para impedir o despejo e a demolição, e obtiveram decisões favoráveis em primeira instância. Entretanto, duas dessas liminares foram derrubadas em segunda instância, abrindo uma brecha jurídica para uma ação truculenta e arbitrária por parte do governo, como tem sido freqüente no Rio de Janeiro, onde, sob pretexto de “urgências” tendo em vista os projetos para a Copa e as Olimpíadas, prefeitura, estado e união tem avançado contra os direitos, a vida e a história de inúmeras comunidades tradicionais em favelas, ocupações urbanas e movimentos sociais de base.

Desde uma grande manifestação no dia 09/11, quando se uniu a defesa dos Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul à preservação da Aldeia Maracanã, atividades permanentes e uma vigília vêm sendo realizadas no espaço, e precisam ser reforçadas e divulgadas o máximo possível. Os vídeos trazem depoimentos sobre tudo isso de José Guajajara, morador da Aldeia, e Arão da Providência, advogado e também indígena da etnia guajajara.”

Movimento dos índios da Aldeia Maracanã

Leia a carta aberta à imprensa
Veja vídeo de índio morador da Aldeia Maracanã

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3 respostas a Resistência na Aldeia Maracanã contra o autoritarismo e a especulação da Copa

  1. Pingback: A prefeitura e os gastos milionários | Eliomar Coelho - PSOL - O vereador do Rio

  2. Nadia Maria disse:

    Muito bom o conteúdo do vídeo! Que todos os vereadores e sociedade do mundo inteiro, consigam compreender o que é cultura de verdade e que vejam a estrutura do prédio, que é bem forte, comprovado pelo CREA. Precisamos parar essa idéia louca de um governador que acha que tudo pode e ainda diz que o espaço não é histórico! Passa por cima de tudo como se fosse um rolo compressor. Será que ele não percebe que o povo já percebeu qual é a dele? Fala sério! Salve nossos indígenas! Que consigam a Vitória que tanto almejam! Precisamos da nossa cultura viva! Precisamos dos nossos indígenas vivos e passando pra gente o que desconhecemos,.

    • Eliomar Coelho disse:

      Cara Nádia,

      São tantos absurdos. A sociedade civil organizada se manifestará amanhã (1/12), mais uma vez, contra a privatização do Maracanã e as demolições. O grande ato unificado, com concentração na Praça Saens Pena, é mais uma tentativa de parar o rolo compressor. Será que governador e prefeito manterão o desdém em relação ao clamor da opinião pública?

      Abraços fraternos,
      Eliomar

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