Rio antigo: bonde de Santa Teresa

O bonde elétrico de Santa Teresa fez 123 anos no dia 1º de setembro, mas não há motivos pra comemoração. Dias antes, em 27 de agosto, Santa Teresa completou oito anos sem o bonde. O desastre em 2011 com o Bonde nº 10 causou a morte de seis pessoas, entre elas o motorneiro Nelson, e deixou 57 feridas.

“Cadê o bonde da Paula Mattos?” Essa pergunta há tanto tempo sem resposta estampava um cartaz afixado num poste do bairro. Outro alvo das manifestações de moradores, ocorridas nos dias 25 e 27 de agosto, foi a cobrança turística do bonde no valor de 20 reais, para um trecho curto e viagens espaçadas. A reivindicação, mais do que justa, é por uma tarifa equivalente a uma passagem de ônibus.

Outra frente de luta se dá pela retomada das obras e restauro dos bondes originais — volta do bonde popular, meio de transporte usado por moradores, trabalhadores e frequentadores do bairro, além de importante patrimônio do Rio.

O bonde foi inaugurado no dia 1º de setembro de 1896, pela Companhia Ferro-Carril Carioca, indo até o Largo dos Guimarães pela Almirante Alexandrino. A estação terminal era no Largo da Carioca. Na outra ponta da linha, a tração animal foi sendo substituída pela eletrificação. Isso se deu em duas direções: uma para Paula Matos até o Largo das Neves; a outra seguiu pela rua Almirante Alexandrino, na direção ao Largo do França, Dois Irmãos e Silvestre, onde se encontra com o Trem do Corcovado.

A oficina e a garagem foram instaladas perto da linha no morro de Santo Antônio. Em 1965, passaram a funcionar na Rua Carlos Brandt.

Em 2018, Eliomar presidiu a CPI dos Transportes da Alerj, que realizou audiência pública sobre o tema e fez uma vistoria na oficina, acompanhado por moradores. A CPI dedicou um capítulo a esse assunto, listando uma série de providências a serem tomadas, o que não aconteceu até hoje. São elas:

  • Extinguir a tarifa absurda de R$ 20,00, equiparando à do transporte público por ônibus;
  • Integração do sistema de bondes de Santa Teresa com o município do Rio com o bilhete carioca;
  • Elaborar projeto básico para reformar a oficina para que volte a funcionar;
  • Reformar os bondes históricos para transitar em trechos com menores aclives.

Imagem: Amast / Divulgação

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