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Rio antigo: Imagens do golpe de 64 para ficar no passado

O prédio da UNE incendiado, tanques avançando sobre a Rua Gago Coutinho, tanques invadindo o Parque Guinle e outros estacionados em frente ao Palácio Guanabara… São Imagens que devem ficar datadas, no passado, porque marcaram o começo da ditadura militar que contabilizou 362 vítimas, entre mortos e desaparecidos. Justificou torturas, atentados e impingiu à centenas a dor do exílio.

“Por toda noite e madrugada, na véspera daquele 01 de abril, o prédio da UNE esteve ocupado por centenas de estudantes que avidamente acompanhavam o desdobramento dos acontecimentos e iluminavam a Praia do Flamengo com inflamados discursos… “Não passarão”, afirmávamos em alto e bom som, dispostos a resistir”, relembra a professora universitária Cecília Coimbra, fundadora e atual vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, Doutora em Psicologia e Pós-Doutora em Ciência Política pela USP.

Mas o prédio da UNE não resistiu…

“Quando desci do ônibus, vi que os móveis estavam sendo jogados na rua e incendiados. Não tinha ninguém fardado. Não sei dizer se eram militares à paisana ou se eram civis, do Comando de Caça aos Comunistas (CCC). Foi muito triste. A UNE tinha uma grande força no país. Era uma entidade conceituada, respeitada pelos estudantes”, conta o ex-deputado José Frejat, que foi presidente da UNE nos anos 50.

Muitas lembranças tenebrosas de ex-presos politicos torturados brutalmente até a morte ficaram registradas na mente dos sobreviventes e em publicações que reconstituem os horrores da repressão militar. O ex-preso político e atual presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe-SP), Ivan Seixas, 57 anos, foi capturado e torturado ao lado do pai que sucumbiu à violência das sessões na “cadeira do dragão” – espécie de cadeira elétrica com fios conectados em diversas partes do corpo do torturado para dar choques. Separados apenas por uma fina divisória, Seixas pode escutar o sofrimento do pai. “O choque elétrico é uma coisa desestruturante. O choque não é uma coisa que doa. Mas como atinge o sistema nervoso central, você fica tão perdido, tão desconfortável, que você grita”, descreveu em reportagem do Último Segundo.

São relatos fundamentais para reavivar sempre a memória de uma página infeliz da nossa história. Ditadura nunca mais!

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