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É só olhar o mapa e constatar o retrato de exclusão, elitização e concentração da cultura . Os dados que confirmam esta situação são da própria prefeitura, disponíveis no Instituto Pereira Passos (IPP). As ações do poder público municipal não ajudam a modificar o quadro.

Confira os detalhes clicando nos itens abaixo.

População das áreas comparadas

Quantidade de equipamentos instalados

Teatros e casas de espetáculos

Museus

x Bibliotecas

Cinemas

Centros culturais

 
É preciso democratizar o acesso à cultura

Para as classes dominantes, a cultura e a comunicação são mecanismos eficazes de controle social e ideológico. Por isso, através dos anos, o processo de elitização da cultura se agravou, como se vê no mapa. Segregação social e cultural caminham juntas.

Comentários ao mapa da Exclusão Cultural

O que de imediato percebe-se na primeira olhada no Mapa da Exclusão Cultural é que, mesmo atualizado cinco anos depois (o primeiro mapa foi de junho de 2003), a desigualdade continua imensa. Alguns itens cresceram outros encolheram mas, no geral, a discrepância entre as regiões de nossa cidade não se alterou.

Centro, Zona Sul e Tijuca continuam concentrando grande parte dos equipamentos culturais, com 368 lugares de difusão cultural, somando-se cinemas, teatros, museus, bibliotecas e centros culturais.

No fim da fila, a região composta por Jacarepaguá e Cidade de Deus, que já era muito mal servida, teve reduzida ainda mais os locais de difusão cultural, com a perda de duas salas de cinema e a abertura de apenas uma sala de espetáculo ou teatro, totalizando exíguos 7 equipamentos culturais para uma população de 507.698 habitantes.

A região composta por Leopoldina, Madureira, Méier e Ilha do Governador, chamada Área de Planejamento 3 (AP3), proporcionalmente maior em termos de população, com 2.353.590 habitantes, teve um acréscimo de 22 novos equipamentos, principalmente salas de cinema (17), criadas a partir da construção de shopping center. Parêntesis: vale ressaltar que os dados relativos aos cinemas são os únicos que estão atualizados até 2007. As informações restantes são de 2004, conforme dados disponíveis na página do IPP na internet. Poderia-se dizer que são dados um pouco animadores, mas ainda muito aquém do ideal. No entanto, e esta é uma discussão importante, estes novos equipamentos culturais surgem associados a projetos imobiliários - localizam-se todos dentro de centros comerciais - e não a uma política cultural voltada efetivamente para uma melhor distribuição de bens culturais.

A região de Campo Grande, Santa Cruz, Bangu, Guaratiba e Realengo (AP5), ganhou cinco novos equipamentos culturais, sendo dois novos cinemas, todos localizados em um shopping em Campo Grande e quatro novas salas de espetáculos. Como os dados do IPP não trazem mais informações sobre estas salas, não se pode dizer se são teatros tradicionais ou se fazem parte do projeto das Lonas Culturais - o que é bem mais provável, já que não há registro, pelo menos nos cadernos culturais dos jornais cariocas, de seis teatros com programação regular localizados nesta região.

A Barra da Tijuca é uma região com forte concentração de cinemas (45), mas que manteve as mesmas características observadas no Mapa da Exclusão Cultural de 2003: tem pouca oferta de diversidade cultural. De lá para cá, ganhou cinco novas salas de espetáculos - todas em shopping, é bom destacar. O que chama atenção é a ausência de bibliotecas em uma região onde os moradores têm, em geral, bom poder aquisitivo. A leitura, pelo visto, não está entre os hábitos culturais mais apreciados pelos seus habitantes.

Pela leitura dos números disponíveis fica visível a falta de uma política cultural por parte do poder público de nossa cidade. Nos últimos quatro anos de governo Cesar Maia pouca coisa foi feita para reverter o quadro de "segregação cultural". Os equipamentos culturais que surgiram em áreas carentes de cultura são, quase todos, salas de cinemas inseridas em empreendimentos imobiliários e que pertencem a grandes exibidores ou distribuidoras de filmes estrangeiros, mas preocupados em auferir lucros exibindo na tela o que for melhor para seus interesses comerciais - na maioria das vezes os blockbusters produzidos pela matriz norte-americana. Os filmes nacionais têm cada vez menos espaço e permanecem pouco tempo nas telas, à exceção de algumas produções associadas às distribuidoras estrangeiras, como Tropa de Elite.

A Prefeitura dispõe de uma distribuidora de filmes, a Rio Filmes, que poderia atuar de maneira bem mais efetiva do que tem feito nos últimos anos para tentar melhorar um pouco este quadro. No entanto, seu orçamento tem sido sistematicamente reduzido, o que reduz seu poder de fogo. Hoje, ela quase saiu de cena.

Outro fator que, ao que parece, ajudou um pouco a reverter o quadro da exclusão cultural foram as Lonas Culturais, um projeto interessante desenvolvido pela prefeitura que, assim como a Rio Filmes, nos últimos anos tem recebido pouca atenção da Prefeitura. Este é um dos poucos projetos da secretaria das Culturas que tem um perfil de ter sido elaborado dentro de uma visão de política cultural mais ampla que levasse em conta os setores desfavorecidos da cidade.

A rede municipal de teatros, outro projeto que em determinado momento mobilizou a classe artística e suscitou debates em torno de políticas culturais, hoje está parada, com seus teatros funcionamento de modo precário, alguns deles fechados, e atingida de forma mortal pelo radical corte de verbas.

Enfim, o que se nota é o total abandono da cultura em nossa cidade. O Mapa da Exclusão Cultural só reflete este estado de coisas.

 
 
 
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