A Cidade que queremos

Para se saber quais são essas necA Cidade que queremosessidades e portanto definir as prioridades de uma administração municipal, a gestão pública tem que ser democrática, descentralizada e transparente. Mais do que isso, é necessário instituir canais de participação popular, como por exemplo, dar poder de decisão aos Conselhos Municipais, formados por entidades civis e criados para ajudar o Executivo a definir as políticas públicas de saúde, educação, desenvolvimento urbano etc.

O que temos visto acontecer no Rio de Janeiro é exatamente o oposto disto. Não existe um planejamento global por parte da Prefeitura mas, sim, intervenções pontuais que não levam em conta a noção de conjunto e deixam de fora as questões sociais. O projeto Rio Cidade I, realizado pelo ex-prefeito Cesar Maia, reformou 17 eixos estruturais, mas não melhorou a qualidade de vida dos bairros por onde passou. Isto porque essas obras não consideraram as deficiências sociais daquelas áreas mas apenas investiram num trabalho de maquiagem e embelezamento, que já apresenta sinais de deterioração.

O Favela-Bairro, idealizado pelo ex-prefeito Luiz Paulo Conde, seguiu a mesma lógica. O projeto - que ainda sobrevive na nova administração de Cesar Maia, tenta fazer a integração da favela ao bairro unicamente pela via físico-territorial, ignorando as carências sociais dos moradores. Uma integração real deveria levar a cidadania à população favelada, garantindo que todos os serviços públicos oferecidos na chamada cidade legal, estivessem presentes também ali.