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Tombado por lei do Mandato, Copacabana Palace sobrevive


Quem passa hoje pela Avenida Atlântica vê poucos vestígios do Rio antigo. Imponente, o Copacabana Palace destoa da paisagem apinhada de arranha-céus. O prédio construído em 1923 foi tombado pela lei 3531/03, de autoria do mandato Eliomar Coelho. É o único exemplar de arquitetura de época na Avenida Atlântica. Até a Casa de Pedra, que ficava no número 2.692, na altura da Rua Santa Clara, erguida nos anos 30 em estilo eclético, foi demolida em outubro do ano passado para dar lugar a um hotel.

Recentemente uma polêmica envolveu a tentativa de modificar o nome do Copacabana Palace mas uma liminar na Justiça impediu a mudança. Para Eliomar Coelho o hotel faz parte da história da cidade e é um registro de como se vivia no Rio Janeiro em determinada época. “A lei impediu a construção de um anexo que descaracterizaria o prédio”, conta Eliomar.

Quando a Companhia Jardim Botânico de bondes estendeu suas linhas até Copabana, o morador do Rio começou a migrar para o bairro onde havia apenas mar, areal e morros. Para isso, foi construído um túnel no Morro do Barroso que foi batizado de Túnel Velho. Os anos 10 foram marcados pela construção de palacetes e o estilo de vida moderno, então, ditava como regra morar à beira-mar. Com mobilidade urbana, Copacabana começou a ser habitada pela elite carioca.

Nas fotos ao lado, Copacabana nos anos 10 com jeito de balneário chique. Em 1917 o então prefeito Amaro Cavalcanti[12], baixou um decreto regulamentando o uso do banho de mar:

“O banho só será permitido de 2 de Abril à 30 de Novembro das 6h às 9h e das 16h às 18h. De 1 de Dezembro à 31 de Março das 5h às 8h e das 17h às 19h. Nos Domingos e feriados haverá uma tolerância de mais uma hora em cada período.”
“Vestuário apropriado guardando a necessária decência e compostura.”
“Não permitir o trânsito de banhistas nas ruas que dão aceso às praias, sem uso de roupão ou paletots suficientemente longos, os quaes deverão ser fechados ou abotoados e que só poderão ser retirados nas praias.”
“Não permitir vozerios ou gritos, que não importem em pedidos de socorro e que possam alarmar os banhistas.”
“Prohibir a permanencia de casaes que se portem de modo offensivo à moral e decoro públicos nas praias, logradouros e nos vehiculos”.[13]

O Copacabana Palace veio a reboque desta ocupação sofisticada. Fundado por Octávio Guinle em 1923, por sugestão do então presidente da república Epitácio Pessoa, foi projetado pelo arquiteto francês Joseph Gire nos moldes dos hotéis Negresco e Carlton, que eram concorrentes na Riviera Francesa. Na sua coleção de hóspedes ilustres constam os nomes da Princesa Diana e Príncipe Charles, Walt Disney, Santos Dumont, Nelson Mandela e o roqueiro Mick Jagger. E continua atraindo celebridades contemporâneas.

O boom de empreendimentos, que acabou por transformar a Atlântica em um paredão de prédios, aconteceu na década de 40 quando a prefeitura permitiu gabarito de 12 andares. A geógrafa Elizabeth Dezouzart, autora do livro “História dos Bairros – Copacabana”, destaca que o hotel tornou-se a construção mais antiga da orla porque todos os palacetes construídos em 1910 vieram abaixo. A lei do mandato garante vida eterna ao Copacabana Palace.

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3 respostas a Tombado por lei do Mandato, Copacabana Palace sobrevive

  1. Pingback: Jutiça confirma: CPI é ilegítima | Eliomar Coelho - PSOL - O vereador do Rio

  2. lucia gama disse:

    Excelente documento e melhor ainda a lei!!!!!!!!!!
    PARABÉNS QUERIDO VEREADOR AMIGO!!!!!!!!!!!!!!!!
    A sua eleitora Lúcia Gama.

    • Eliomar Coelho disse:

      Cara Lucia,
      Fico muito feliz que projeto de minha autoria preserva um conjunto arquitetônico de tamanha importância para a cidade. Eu me pergunto se a sanha imobiliária não teria derrubado o Copacabana Palace caso o imóvel não tivesse sido tombado.

      Abraços cordiais,
      Eliomar

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