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Transportes públicos: Metrô Rio

Imagem de Amostra do You Tube

Andar como em lata de sardinhas no horário do rush já faz parte do cotidiano de quem usa o Metrô do Rio. A ponto dos usuários lançarem mão de estratégias como pegar o trem na direção oposta para embarcar nas estações terminais. Ou simplesmente desistir de embarcar e aguardar o próximo, que também chega lotado. Empurra daqui, empurra dali, o passageiro se espreme dentro da composição. Não são raros os relatos de pessoas que passam mal com sensação de claustrofobia.

Quando foi inaugurado, em março de 1979, o Metrô era considerado o mais eficiente e confortável meio de transporte da cidade. A promessa era de várias linhas cruzando a cidade a exemplo do que acontece em grandes centros urbanos como São Paulo, Nova York e Londres. Mas os anos se passaram, veio a privatização em 1998, quando a Operadora Metrô Rio passou a ser controlada pelo Banco Oportunitty, do banqueiro Daniel Dantas, e o cenário mudou para pior.

Com uma das tarifas mais caras do mundo, o Metrô pouco cresceu mas manteve a mesma frota de 182 vagões mesmo com a inauguração de novas linhas. No entanto, nos últimos dez anos, o número de passageiros deu um salto de 80%. São cerca de 550 mil usuários por dia. Um número pífio se comparado ao Metrô de São Paulo que carrega 2,1 milhão de pessoas e tem uma extensão de 61,3km contra 36,9 km do Metrô carioca.

Com uma promessa de investimentos na ordem de 1,15 bilhão e compra de 114 novas composições, a direção da empresa, ano passado, chegou a culpar publicamente a Secretaria Estadual de Tranportes por não ter adquirido novos carros reconhecendo que este é o motivo da superlotação. A Secretaria, por sua vez, lavou as mãos jogando a culpa nos administrações anteriores.

A expansão do Metrô é outra promessa antiga. Ao custo R$ 2 bilhões, a linha 4 teria 16 quilômetros e seis estações entre Botafogo e Barra da Tijuca. Cerca de 270 mil pessoas usariam o serviço por dia. A linha 6, com 35 mil quilômetros entre Barrra da Tijuca e o Aeroporto Tom Jobim, atenderia mais 300 mil passageiros. Mas a Secretaria Estadual de Transportes sequer ousou incluir esta expansão na proposta oficial encaminhada ao Comitê Olímpico Internacional como um trunfo para trazer as Olimpíadas de 2016 para o Rio.

Ao invés de tirar logo estes planos do papel, o Metrô está transformando pátios e trilhos, antes usados para a manutenção e recuperação de vagões, para transformarem-se num rabicho entre a linha 1 e a linha 2. Uma espécie de linha 1A que deve funcionar apenas na área central da Cidade, deixando os outros bairros numa situação igual ou pior do que a atual. Para tanto, o Governo Cabral prorrogou, sem licitação, a concessão da atual operadora por mais 20 anos.

O usuário, espremido nos trens, não imaginava que o Metrô Rio chegaria a 2009 com tão poucas linhas, uma infraestrutura muito aquém da demanda e uma tarifa superfaturada. O usuário está cansado de ouvir promessas! E, indignado com os crescentes acidentes e problemas técnicos que resultam em longas paradas entre estações ou interrupções de tráfego, ele se pergunta: “até quando?!”.

Se você usa o Metrô Rio, conte-nos sobre o sufoco que é andar neste meio de transporte. E não deixe de votar na enquete abaixo.

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Uma resposta a Transportes públicos: Metrô Rio

  1. Paulo Pinheiro disse:

    Resolvi escrever esta carta após ler a edição do dia 17/11 do GLOBO dentro de um vagão superlotado e sem ar condicionado do Metrô da linha 1, a respeito da inoperância e gastos excessivos da Agetransp – agência supostamente responsável pela fiscalização dos transportes públicos do Rio de Janeiro.

    Questiono fortemente a falta de oposição e de posicionamento firme da imprensa, dos órgãos reguladores assim como do legislativo, dos tribunais de contas, etc, a respeito da contrução a toque de caixa dessa linha 1A. Uma aberração completa que inviabiliza totalmente o projeto original de ligação entre a estação do Estácio e a Estação Carioca, ambas estações construídas com capacidade para atender trens maiores, passando por uma estação na Praça de Cruz Vermelha.

    Como é que se aprova na surdina uma negociação entre o Governo do Estado e a concessionária do Metrô para aumentar o prazo de concessão do serviço em troca de um projeto mais barato e fortemente criticado por todos os técnicos que acompanharam o projeto original do metrô ?

    Quem vai pagar o prejuízo ?

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