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UPPs polarizam segundo debate do PSOL/RJ

Foi concorrido o debate organizado pelo PSOL/RJ que reuniu, ontem, os professores Adriana Facina (UFF) e Ignácio Cano (Uerj) e o MC Leonardo, com a mediação do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL/RJ). O tema deste segundo encontro foi “Favelas: cultura e segurança”. Mas a conversa predominante foi sobre as UPPs nas comunidades.

(….) Vi a vida fácil às custas da vida dura. (…)Vi uma bala perdida procurando uma veia. (…) Vi um país no céu e um inferno na terra” (…). A poesia de Sergio Vaz, lida pela professora Adriana Facina, abriu o debate que contou com a performance do poeta baiano Nelson Maca. Ele trasnformou a sigla UPP em Unidade de Poesia Preta.

Assistindo ao debate, o vereador Eliomar Coelho (PSOL/RJ) aproveitou para fazer uma convoação para a sessão de hoje na Câmara dos Vereadores e denunciou a manobra da retirada das assinaturas do requerimento da CPI das Remoções. Segundo o parlamentar, existe uma criminalização da população das favelas e que, muitas vezes, o negro é cerceado no direito de ir e vir quando é parado, de forma preconceituosa, em blitz. Ignácio Cano ressaltou que o Brasil é um país racista mas ninguém se assume como tal.

MC Leonardo levantou a questão do preconceito contra quem mora em comunidade e contra o funk que é uma manifestação cultural da favela.

- Existe um câncer na favela que é o tráfico. O funk foi entrelaçado ao tráfico. O funk levou a culpa pela morte do (jornalista) Tim Lopes. Mas todo mundo sabe que o incidente não está relacionado ao funk – ponderou MC Leonardo.

Segundo Ignácio Cano, a Polícia Militar ainda responde de forma primitiva quando um policial é morto. Na sua opinião, as UPPs são um avanço reconhecido pelos próprios líderes comunitários. No entanto, Cano afirmou que as UPPs tem uma limitação e foram impostas de cima para baixo. Segundo ele, é preciso olhar para as demandas das comunidades.

- É uma questão complexa. Porque embora as populações nas comunidades critiquem, elas querem a UPP. É um assunto tão complexo e atual que está dominando o debate – ponderou Marcelo Freixo.

A deputada estadual Janira Rocha (PSOL/RJ) chamou atenção para a questão dos PMs que recebem baixos salários e sofrem assédio moral.

- Quem trata da questão da segurança deve se antenar com o que vem acontecendo dentro dos quartéis. Sabemos que existem policiais sendo presos e torturados – disse Janira.

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5 respostas a UPPs polarizam segundo debate do PSOL/RJ

  1. luiz fernando graça melo disse:

    O debate era para ser “Favela: cultura e segurança”, mas foi exclusivamente sobre as UPPs, apesar de algumas tentativas isoladas. Mais de 200 pessoas presentes levou a que só quinze conseguissem se inscrever para falar, além da mesa, é claro!
    Como todo debate no meio político, os presentes estavam mais preocupados em tentar convencer os demais da verdade de suas opiniões do que estabelecer uma visão consensual das UPPs. Na realidade, precisaríamos mais de um seminário do que um debate. De qualquer forma, vieram à tona as seguintes posições, resumidamente:
    - Reconhecimento das UPPs como fator positivo, mas com fortes críticas pelo despreparo policial e ausência de políticas públicas complementares
    - Recusa de qualquer fator positivo nas UPPs, reconhecendo-as como política do Mal
    - Reconhecimento que a maioria dos moradores é a favor das UPPs, observado que não tinham outra opção
    - Preocupação com os policiais que são obrigados a trabalhar com baixos salários e sem estrutura adequada de meios e treinamento
    - Reconhecimento das UPPs para diminuir a violência, independente de atacar o tráfico
    - Proposta de agenda paralela com opções outras que não UPP
    - Proposta de levar o debate para dentro das favelas, mas aguardando que isso seja chamado pelos próprios moradores
    - Identificação das UPPs como parte da política neoliberal com foco nos grandes eventos

    O último inscrito a falar foi o jovem Wesley (15 anos), de Caxias que surpreendeu positivamente a todos.
    Nos pareceu que a única conclusão do debate é que, sendo a UPP assunto polêmico, precisa de mais discussão.
    Saudações Socialistas,
    Luiz Fernando Graça Melo

  2. Nelson Maca disse:

    A síntese do que aconteceu lá está aí em cima. No entanto, apesar de não ser uma novidade, uma coisa que ainda me surpreende nesses debates é o fato de o fator “raça” não entrar efetivamente no debate das UPPs. A meu ver, sem esse debate, nos afastamos de uma compreensão histórica dessas “Pacificações” em curso no Brasil desde sua “fundação”… ou “sequestro”. Então, “apesar de poética”, minha intervenção no encontro quis destacar esse aspecto: a implicação da Negritude que subjaz toda e qualquer conjuntura de intervenção violenta da justiça estatal nas comunidades “periféricas”. O que esperar de um estado que institucionalizou o racismo? / Nelson Maca – Coletivo Blackitude: Vozes Negras da Bahia

    • Eliomar Coelho disse:

      Caro Maca,

      De fato, o racismo no Brasil é velado, não assumido e institucionalizado. O mito da democracia racial, que é uma mentira, só reforça este equívoco. Não saberia dizer, de imediato, qual a saída para a conscientização das massas. E lamento perceber que muitos negros brasileiros sequer tem a clareza que você revela em seu comentário.

      Parabéns pela bela intervenção no debate.
      Abs,
      Eliomar

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