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Vila Autódromo: estratégia de esvaziamento para remoção total?

Os moradores de Vila Autódromo parece que comemoraram cedo demais. Tem um certo ar de fraude a boa-nova do prefeito sobre a decisão de não remover os moradores da comunidade – que lidera uma das resistências mais ferrenhas ao processo de reassentamento imposto pela prefeitura em várias favelas.

Em reunião da prefeitura realizada ontem (06/10), no Riocentro, com apenas cerca de 250 moradores que serão reassentados, os excluídos – que sequer foram convidados – se revoltaram. Segundo reportagem do jornal O Dia, uma das pessoas que ficou do lado de fora teria cuspido na cara do prefeito. A pauta da reunião era a apresentação do plano de habitação para remoções.

O temor de quem ficará na Vila Autódromo é que a remoção de parte da comunidade seja uma estratégia para esvaziar e isolar as famílias que permanecerão e empurrá-las para uma mudança futura inevitável. Os moradores não entendem porque a prefeitura optou por gastar R$ 105 milhões no reassentamento no conjunto habitacional Parque Carioca, na Estrada dos Bandeirantes, a um quilômetro da Vila, ao invés de urbanizar a favela. O custo, de acordo com levantamento feito pelo IPPUR/UFRJ (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional) não chegaria a R$ 15 milhões.

Fabrício Leal, professor adjunto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirma, na reportagem do jornal O Dia, que o município deveria investir na urbanização da Vila, e não fazer remoções.

Os Mandatos Eliomar Coelho e Paulo Pinheiro vêm denunciando a situação irregular do terreno em Jacarepaguá onde a prefeitura pretende reassentar os moradores de Vila Autódromo. Estudo da GEO Rio indica que 70% do terreno foi classificado como área de risco. O local era uma antiga área de mineração, alvo de descomissionamento conforme Lei 90/2008 – de autoria do Mandato Eliomar Coelho – com risco ambiental já caracterizado.

Os vereadores Eliomar Coelho e Paulo Pinheiro (PSOL) recorreram ao Ministério Público a fim de impedir a venda do terreno, que pertence a Tibouchina Empreendimentos. Segundo os parlamentares da bancada do PSOL no Legislativo, o preço do terreno subiu 178% em relação a primeira avaliação.

A prefeitura chegou a adiar a operação de compra, por R$19,9 milhões, da área. A decisão foi anunciada depois da veiculação de denúncia pelo jornal O Estado de S. Paulo sobre doações para o prefeito Eduardo Paes, no valor de R$ 260 mil, e para seu, então, chefe de gabinete, Luiz Antonio Guaraná (atual líder do Paes na Câmara Rio), no valor de R$ 45 mil, durante a campanha eleitoral de 2008, por parte das empresas Rossi Residencial e PDG Realty, que controlam a Tibouchina.

A Vila Autódromo é “um bairro marcado para morrer”?

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