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Vila Recreio Dois é a mais nova vítima da “Era das Remoções”

Mais de cem famílias vivem na Vila Recreio Dois, comunidade que fica na Avenida das Américas a menos de dois Km após o Recreio Shopping e a ponte sobre o Rio Morto, no lado direito de quem segue para Vargem Grande/Guaratiba. Há mais de cinco anos, as famílias vêm sendo assediadas e ameaçadas pela prefeitura. Em volta da Vila, enormes terrenos e edificações abandonadas permanecem sem cumprir qualquer função social. A Vila Recreio Dois é vizinha do extinto Wet’n'Wild, parque aquático falido que agora parece estar tentando ressuscitar.

Ou seja, não faltou tempo, nem espaço para que ofertas menos aviltantes fossem feitas aos moradores. Mas em todos esses anos, as únicas opções oferecidas foram os famosos cheques da Secretaria Municipal de Habitação, em valores irrisórios, ou casas em projetos habitacionais em locais absolutamente inadequados.

Nos últimos meses, com a onda de novos corredores viários por toda a cidade, cerca de 60 casas da Vila Recreio Dois ficaram dentro da área a ser utilizada para a duplicação da Avenida das Américas, no projeto conhecido como Transoeste. É curioso notar que áreas formais, de classe média, situadas igualmente dentro da área do projeto, sequer foram notificadas até agora, mesmo com as obras já iniciadas. Não é de hoje que as ações da prefeitura disparam tanto contra comunidades pobres, quanto contra setores de classe média que “atrapalham” grandes empreendimentos.

Das casas que estão na reta do projeto Transoeste, cerca de 30 famílias aceitaram ir para um conjunto habitacional de origem duvidosa na Estrada dos Caboclos, em Campo Grande, cerca de 35 Km da comunidade. Há rumores de que o tal conjunto foi um empreendimento imobiliário privado “empacado”, que foi negociado com a prefeitura para diminuir o prejuízo dos incorporadores.

Para quem não aceitou ir para Campo Grande, a prefeitura não ofereceu qualquer outra alternativa. Teme-se que a mesma prática já repetida em inúmeras outras comunidades, ocorra também na Vila Recreio Dois. Neste fim de semana, após a resistência da Vila Harmonia contra mais um ataque noturno da prefeitura, os funcionários envolvidos na operação avisaram que vão “dar um tempo” na Vila Harmonia e vão “adiantar o serviço” na Vila Recreio Dois.

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Uma resposta a Vila Recreio Dois é a mais nova vítima da “Era das Remoções”

  1. Roger de Sena disse:

    Garanto que entre as famílias atingidas, o cheiroso prefeitinho e sua turma obtiveram muitos votos.
    Como sempre as candidaturas que tem políticas decentes para essa camada da população passaram, e ainda passam, completamente despercebidas por eles!
    Onde está o erro?

    • eliomar coelho disse:

      Caro Roger,

      O erro passa pelo disparate no tocante aos grandes gastos de algumas campanhas eleitorais. Bons candidatos muitas vezes sequer têm visibilidade por conta da falta de recursos e de uma postura que rechaça o “toma lá, da cá”.

      Abs,
      Eliomar

  2. Rodrigo Pentado disse:

    Em qualquer país sério, quem não tem condições de comprar uma casa mora onde o governo constrói casas. Não é invadir e achar que está tudo certo. Bairros populares existem nos EUA e Europa. Aqui, em troca de votos, vereadores apoiam os menos favorecidos a invadir. E aqueles que muitas vezes ganham menos que os moradores dessas comunidades, moram longe do trabalho e ainda pagam altos imposotos pra sustentar nossos políticos. O Eduardo Paes não ganhou meu voto, mas na próxima eleição certamente o terá. O meu e de todos aqueles que ralaram pra morar no Recreio e não querem ver seu patrimônio afundando pela favelização do bairro. Eduardo Paes, perdeste os votos de meia duzia de familias da Restinga e Vila Harmonia, mas os 40 mil moradores do Recreio te apioam!

    • eliomar coelho disse:

      Caro Rodrigo,

      “Deve ser pauta de um governo de esquerda popular a implementação de mecanismos compensatórios de recuperação das mais-valias, a exemplo dos já formalmente presentes no Estatuto da Cidade (Lei 10.257/01), ou mesmo na Lei 9985/00. Desse modo, a regulamentação do IPTU progressivo, da contribuição de melhoria, a promoção de incentivos e benefícios fiscais e financeiros, em favor de áreas mais pobres, a concessão de uso especial para fins de moradia, a instituição de zonas especiais de interesse socioambiental, desapropriações e amplo programa de moradia digna são compromissos inarredáveis para um governo orientado por princípios socialistas populares.” Isto é parte de um texto do advogado Jadir Brito que vai ao encontro dos meus pensamentos. Se quiser ler na íntegra o artigo “Conflitos socioambientais urbanos e o enfretamento socialista aos modelos neoliberais de ecoeficiência na luta pela moradia…”, siga este link …http://psolurbanoarquivo.blogspot.com/2008/04/conflitos-socioambientais-urbanos-e-o.html

      Obrigado pela interação no blog.
      Abs,
      Eliomar

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