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Quem será o próximo?

“Autoridades, quem será o próximo?” Esta é a frase escrita em um cartaz pendurado no barracão onde morava o casal José Claudio e Maria do Espírito Santo, assassinados, semana passada, no Pará. Outros dois ambientalistas foram mortos depois deste crime. Dos 207 ativistas ameaçados de morte na lista da Comissão Pastoral da Terra, 42 já foram mortos. A CPT tem uma lista com 30 nomes de pessoas que já sofreram mais de uma ameaça de morte. Mas o governo declarou, publicamente, que não pode garantir proteção nem mesmo a estas lideranças marcadas para morrer. A aprovação do Código Florestal parece que serviu como licença para desmatar e matar.

No assentamento em Praialtas-Piranheiras, no Pará, várias famílias estão deixando o local com medo. Segundo reportagem publicada no jornal O Globo, a área de 22 km destinada à exploração de produtos da floresta é um oásis uma vez que não há desmatamento ali. No trajeto entre Marabá e Praialtas, a devastação impera. O sustento dos agricultores locais vem, principalmente, das castanheiras – símbolo do Pará. Mas eles não destroem a natureza.

No artigo abaixo, a CPT faz um histórico das mortes no campo.

O Estado não pode lavar as mãos diante de mortes anunciadas
Comissão Pastoral da Terra
“A Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra reputa como muito estranhas as afirmativas de representantes da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Pará, do Ibama e do Incra que disseram no dia 25 de maio desconhecer as ameaças de morte sofridas pelos trabalhadores José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, assassinados a mando de madeireiros no dia 24, em Nova Ipixuna (PA). O ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, chegou a afirmar que o casal não constava de nenhuma relação de ameaçados em conflitos agrários, elaborada pela Ouvidoria ou pela Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo.

A CPT, que desde 1985 presta um serviço à sociedade brasileira registrando e divulgando um relatório anual dos conflitos no campo e das violências sofridas pelos trabalhadores e trabalhadoras, com destaque para os assassinatos e ameaças de morte, desde 2001 registrou entre os ameaçados de morte o nome de José Claudio. Seu nome aparece nos relatórios de 2001, 2002 e 2009. E nos relatórios de 2004, 2005 e 2010 constam o nome dele e de sua esposa, Maria do Espírito Santo. Pela sua metodologia, a CPT registra a cada ano só as ocorrências de novas ameaças.”
Leia o artigo na íntegra na página da Fundação Lauro Campos

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