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Rio antigo: história do Carnaval de rua desde o entrudo

Quando o Carnaval chegou ao Brasil era chamado de entrudo. Os entrudos surgiram no século XVI como brincadeiras que arrastavam os portugueses para as ruas semanas antes da Páscoa. Pela tradição da igreja, o Carnaval sempre acontece no 7º domingo que antecede ao domingo de Páscoa. A quarta-feira de Cinzas dá início à quaresma, um período em que os católicos pregam a reflexão e abstenção dos prazeres mundanos. O entrudo marcava a entrada da Quaresma; ou a despedida dos prazeres de Baco. Havia o entrudo mais recatado e exclusivo, das famílias, com batalha de água de limão que servia ao flerte educado. Havia o entrudo popular que acontecia no calor das ruas onde valia jogar tudo, qualquer líquido disponível, até sêmen ou urina. Esta forma de brincar o Carnaval acabou sendo reprimida ou esvaziada (imagem acima). Com a chegada da Corte Portuguesa no século XIX, surgiram os bailes chiques, caros e excludentes e, na sequência, os corsos com seus carros conversíveis, o desfile de ranchos e as Grandes Sociedades. O Carnaval de rua na sua forma espontânea ganhou certo fôlego, na década de 20, na forma dos blocos – uma proposta diferente dos ranchos e dos cordões – e a Praça Onze foi um dos locais para onde migraram os foliões. Foi Chiquinha Gonzaga, aliás, quem lançou a moda da composição exclusiva para blocos com a música “Ô Abre Alas”. Em 1928, com a benção do sambista Ismael Silva, o bloco “Deixa Falar” foi alçado à categoria de Escola de Samba: surgia a Estácio de Sá, a primeira de uma série de agremiações que transformou, como sabemos, o Carnaval do Rio no “maior espetáculo da terra”. Se tem seu lugar de destaque na festa momesca, o desfile das escolas, hoje, não suplanta o clamor das ruas. A foto acima mostra um grupo em Santa Teresa em 1954. O espírito do Carnaval – que tem lá suas raízes no improviso e na euforia do entrudo popular – está mais do que vivo em mais de 400 blocos. O Carnaval de rua do Rio de Janeiro segue crescendo, sempre criativo, com novas propostas a cada ano – algumas que geram ao mesmo tempo, polêmica e adesão. Mas um fato é inegável: seu prestígio e força parecem irreversíveis.

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